História do Brasil: Linha do Tempo de 1500 a 2023
A história do Brasil cobre mais de cinco séculos, do descobrimento do Brasil por Pedro Álvares Cabral, em 1500, até a redemocratização do país no final do século XX. O texto a seguir percorre essa trajetória em ordem cronológica, do Brasil Colônia ao Brasil Império, da Primeira República à Ditadura Militar, até o período democrático que vai de 1990 a 2023. Cada período é tratado por suas datas, personagens e decisões que mudaram o rumo do território conhecido primeiro como Pindorama e depois como Brasil. Para números atuais de área, população e clima, veja dados gerais do Brasil.
Brasil Pré-Colonial e Descobrimento (1500)
Em 1500, começa a história do Brasil: a frota comandada por Pedro Álvares Cabral avista uma terra até então desconhecida pelos europeus. Os povos indígenas que já vivem ali chamam o território de Pindorama; organizados em sociedades matriarcais, não conhecem os metais e vivem da caça, da pesca e da coleta. Hoje vivem no Brasil 270 grupos indígenas em reservas protegidas por lei, a maior delas no Parque Nacional do Xingu, parte da população brasileira atual.
A terra recebe o nome de Terra de Santa Cruz, depois Ilha de Vera Cruz, até o nome atual, Brasil, origem na árvore nativa pau-brasil. A colonização do Brasil nasce em Porto Seguro, na Bahia, ponto de partida da ocupação portuguesa do litoral. Esse descobrimento do Brasil marca o início de uma presença europeia contínua no território, consolidada nas décadas seguintes com a chegada de novos colonos.
Brasil Colônia (1530–1792)
Em 1530, diante de tentativas de invasão de franceses, holandeses e espanhóis, Portugal institui o sistema de Capitanias Hereditárias, dividindo o território em 15 partes doadas a pessoas da Corte. Começa a plantação de cana-de-açúcar e a criação de gado, com mão de obra escrava importada da África — a cana-de-açúcar se torna, desde a segunda metade do século XVI, a principal riqueza do Brasil, cultivada em grandes latifúndios. Com o fracasso das Capitanias, institui-se o Governo-Geral, com Capital em Salvador. Essa etapa da história do Brasil consolida o modelo de ocupação por doação de terras à Coroa portuguesa.
Entre 1580 e 1640, durante a União Ibérica, quando Portugal está anexado ao Reino da Espanha, o Brasil sofre ataques frequentes de ingleses e holandeses, inimigos tradicionais da Espanha. A Holanda chega a controlar Recife e Olinda, em Pernambuco, e o território entre a Ilha do Maranhão e o Rio São Francisco. Em 1640, Portugal se separa da Espanha e o Brasil volta a ser Colônia portuguesa.
No século XVII, os bandeirantes paulistas desbravam o interior em busca de ouro, enquanto jesuítas iniciam a evangelização no Vale do Amazonas. Em 1693, descobrem-se jazidas de ouro na região da atual Minas Gerais, atraindo milhares de colonos portugueses. Em 1721, o descobrimento de diamantes em Minas Gerais acelera ainda mais a expansão econômica e territorial da Colônia. Em 1792, a execução de Joaquim José da Silva Xavier, o Tiradentes, encerra a Inconfidência Mineira e se torna símbolo da consciência nacional que cresce nas décadas seguintes.
Brasil Reino Unido e Independência (1808–1822)
Em 1808, a Família Real Portuguesa se transfere para o Brasil, que é elevado a Reino Unido a Portugal e Algarves; a Capital muda de Salvador para o Rio de Janeiro. O Príncipe Regente D. João decreta a Abertura dos Portos e uma série de reformas que beneficiam a agricultura e a indústria, além de criar escolas de ensino superior. Esse período redireciona a história do Brasil, elevando a Colônia à condição de Reino e intensificando a consciência nacional já despertada pela Inconfidência Mineira.
Em 1821, D. João volta a Portugal, deixando seu filho D. Pedro como Príncipe Regente do Brasil. Em 7 de setembro de 1822, diante da pressão de Portugal para que o Brasil voltasse a ser Colônia, D. Pedro proclama a Independência do Brasil; o país se torna Império. A data integra hoje o calendário oficial de datas comemorativas no Brasil.
Brasil Império (1822–1889)
Na fase imperial da história do Brasil, com a abdicação de D. Pedro I em 1831 em favor do filho D. Pedro II, então com 5 anos, o país vive o Período Regencial, marcado por revoltas regionais. Em 1840, o Parlamento antecipa a maioridade de D. Pedro II, aos 15 anos, encerrando a Regência. Durante seu reinado, população e economia do Brasil crescem em ritmo acelerado.
Nesse período, a produção cafeeira se expande e surgem os barões do café, que fundam cidades pelos caminhos das tropas no interior de São Paulo e do Rio de Janeiro. Surge também o ciclo da borracha, povoando as margens dos rios amazônicos. Em 1888, é abolida a escravidão, sem indenização aos proprietários, o que gera descontentamento entre eles e retirada de apoio ao Imperador. A vinda de imigrantes europeus, já estimulada antes, se intensifica para substituir a mão de obra escrava, trazendo novas técnicas agrícolas e pequenas indústrias domésticas.
Primeira República (1889–1930)
Em 15 de novembro de 1889, um golpe militar transforma o Império do Brasil em República; a data integra o calendário de datas comemorativas no Brasil e é seguida, nos primeiros anos da República, pela adoção de uma nova bandeira nacional, descrita em bandeiras dos estados do Brasil. Essa mudança redireciona a história do Brasil para o modelo republicano, mas os primeiros anos da Primeira República são marcados por turbulência política, disputas entre oligarquias regionais e um equilíbrio de poder frágil.
Entre 1906 e 1910, a queda do preço do café no mercado internacional causa grave crise econômica; o preço da borracha brasileira também começa a cair no fim desse período. Em 1914, a Primeira Guerra Mundial eleva a participação do Brasil nos mercados de café, borracha e açúcar, aliviando a crise. O país adota neutralidade no início do conflito e depois entra ao lado dos Aliados, enviando unidades navais e ofertando alimentos e matérias-primas.
Era Vargas e Segunda Guerra Mundial (1930–1950)
Em outubro de 1930, a Revolução liderada por Getúlio Vargas encerra a Primeira República e abre um novo capítulo na história do Brasil: Vargas assume o governo provisório e, em novembro de 1937, inicia o Estado Novo, regulamenta as relações trabalhistas, fixa o salário mínimo e cria políticas educacionais, culturais, como o Patrimônio Histórico, e redes hospitalares. Em 1942, o Brasil entra na Segunda Guerra Mundial ao lado dos Aliados; constrói bases navais e aéreas no litoral, e a Marinha assume o controle do Atlântico Sul.
Entre 1944 e 1945, a Força Expedicionária Brasileira combate na campanha aliada na Itália. No pós-guerra, sob influência dos Estados Unidos, surgem novos partidos e sindicatos, além da Usina Siderúrgica de Volta Redonda e da Petrobras.
Modernização, Ditadura Militar e Redemocratização (1956–1988)
Entre 1956 e 1961, no governo de Juscelino Kubitschek, o país vive a modernização simbolizada pela construção de Brasília, nova Capital no Planalto Central, projetada por Oscar Niemeyer. Em 1964, uma Ditadura Militar se instaura após graves problemas sociais e políticos, durando até 1985; a economia continua crescendo, no chamado milagre econômico brasileiro, mas se agravam a crise energética, a inflação e o déficit na balança comercial. Esse ciclo marca um dos capítulos mais tensos da história do Brasil.
Em 1985, depois de a campanha das Diretas Já reunir multidões nas principais cidades do país — derrotada no Congresso, ainda dominado por partidários do regime militar —, o Congresso elege o primeiro presidente civil em 21 anos, encerrando a Ditadura Militar. Em 1988, promulga-se a Constituição de 1988, base da atual divisão política do Brasil e do sistema de poderes vigente.
Brasil Democrático: de 1990 a 2023
Em 1990, ocorrem eleições diretas, consolidando a democracia e abrindo a fase mais recente da história do Brasil. O Plano Real, implementado nos anos seguintes, estabiliza a economia depois de um período de recessão ligado ao combate à inflação. Em junho de 1997, o Brasil adere ao Tratado de Não Proliferação de Armas Nucleares. Em 1998, a inadimplência da Rússia provoca crise internacional, levando o país a recorrer ao Fundo Monetário Internacional, com reflexos em recessão e desemprego.
Em 1º de janeiro de 2003, Luiz Inácio Lula da Silva toma posse como Presidente, reeleito para um segundo mandato em 2006 e governando até 1º de janeiro de 2011. Em 1º de janeiro de 2011, Dilma Rousseff toma posse como primeira mulher eleita Presidente do Brasil; reeleita em 2014, inicia o segundo mandato em 2015.
Em 2016, a Câmara dos Deputados aceita a admissibilidade do processo de impeachment de Dilma Rousseff, em 17 de abril; o Senado aprova a abertura do processo em 12 de maio, afastando-a provisoriamente, com o vice-presidente Michel Temer assumindo como presidente em exercício. Em 31 de agosto de 2016, o Senado conclui o julgamento e a afasta definitivamente do cargo, a segunda destituição de um presidente por impeachment na história republicana do país. Temer completa o mandato até 1º de janeiro de 2019.
Em 1º de janeiro de 2019, Jair Bolsonaro toma posse como Presidente, eleito no final de 2018. Em 1º de janeiro de 2023, Luiz Inácio Lula da Silva toma posse para um terceiro mandato, eleito no segundo turno de outubro de 2022, marco mais recente dessa história brasileira.
Perguntas Frequentes sobre a História do Brasil
Quando começou a história do Brasil?
A história do Brasil começa oficialmente em 1500, com a chegada da frota de Pedro Álvares Cabral ao território já habitado por povos indígenas organizados em sociedades próprias.
Quando foi a independência do Brasil?
A independência do Brasil foi proclamada por D. Pedro em 7 de setembro de 1822, diante da pressão de Portugal para que a Colônia voltasse ao domínio português.
Quando foi a proclamação da República?
A proclamação da República ocorreu em 15 de novembro de 1889, por um golpe militar que encerrou o Império do Brasil comandado por D. Pedro II.
Quanto tempo durou a Ditadura Militar no Brasil?
A Ditadura Militar durou de 1964 a 1985, ano em que o Congresso elegeu o primeiro presidente civil em 21 anos, iniciando a redemocratização do país.
O que estabelece a Constituição de 1988?
A Constituição de 1988 organiza os poderes Executivo, Legislativo e Judiciário e a divisão política do Brasil em União, Estados, Distrito Federal e Municípios.
Quando terminou o mandato de Dilma Rousseff?
Dilma Rousseff foi afastada definitivamente em 31 de agosto de 2016, por impeachment; o vice-presidente Michel Temer assumiu e completou o mandato até 1º de janeiro de 2019.
Foto de destaque: Malcoln Oliveira / Pexels, licença gratuita (Porto Seguro, BA).