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Estado do Tocantins: Geografia, História, Cultura e Economia

Estado do Tocantins: Geografia, História, Cultura e Economia

O Estado do Tocantins ocupa 277.423,625 km² no centro-norte do Brasil, segundo o IBGE, resultado do desmembramento do norte do Estado de Goiás pela Constituição Federal de 1988. É o Estado mais novo do país, instalado em 1º de janeiro de 1989, com Palmas como capital, construída a partir de 1989 e a mais jovem entre as capitais estaduais brasileiras. O território abriga a Ilha do Bananal, maior ilha fluvial do mundo, e o Jalapão, região de dunas e cachoeiras no leste do Estado.

Este guia reúne a geografia física, a história, a população, a economia, a cultura e o turismo do Estado do Tocantins, com dados do IBGE e do PNUD. Detalha o relevo entre planície e planalto, a bacia hidrográfica Tocantins-Araguaia, os municípios mais populosos e os atrativos do Jalapão e da Ilha do Bananal. Cada seção segue a mesma base de dados oficiais, da área territorial ao Índice de Desenvolvimento Humano, com os números que marcam o Estado mais recente do Brasil.

CaracterísticaDado
LocalizaçãoCentro-norte do Brasil (Região Norte)
SiglaTO
CapitalPalmas
Área277.423,625 km² (IBGE, 2025)
População1.511.460 habitantes (Censo 2022 IBGE)
Densidade5,45 hab/km² (Censo 2022)
Municípios139
ClimaTropical, com estação seca e estação chuvosa
IDH0,731 (2021, PNUD)

Onde Fica o Estado do Tocantins?

O Estado do Tocantins fica no centro-norte do Brasil, na Região Norte do Brasil, numa faixa de transição entre o Cerrado do Centro-Oeste e a Floresta Amazônica. Essa posição vem do próprio processo de criação do Estado. A Constituição Federal de 1988 desmembrou a porção norte do Estado de Goiás para formar o território tocantinense. Hoje o Tocantins tem 277.423,625 km², segundo o IBGE.

Essa localização faz do Tocantins um corredor natural entre três regiões do Brasil, ligando o Norte ao Nordeste e ao Centro-Oeste pela rodovia Belém-Brasília. Palmas, a capital, fica a cerca de 970 km de Brasília, distância que aproxima o Estado do Centro-Oeste mais do que de boa parte dos vizinhos da própria Região Norte. É também o único Estado da Região Norte em que o Cerrado, e não a Floresta Amazônica, é o bioma predominante, cobrindo cerca de 90% do território. Essa combinação de posição central e bioma de Cerrado explica por que o Tocantins concentra a fronteira agrícola que normalmente se associa ao Centro-Oeste, e não ao restante da Amazônia Legal.

Localização e Região Norte do Brasil

A capital, Palmas, fica no centro-sul do território, às margens do Rio Tocantins, a cerca de 970 km de Brasília pela rodovia Belém-Brasília. O Estado integra oficialmente a Região Norte desde sua criação, ao lado do Amazonas, do Pará, de Rondônia, de Roraima, do Amapá e do Acre, mas mantém traços econômicos e climáticos do Centro-Oeste, de onde se originou.

Essa posição de transição aparece na própria vegetação do território: o Cerrado cobre cerca de 90% da área tocantinense, enquanto o extremo norte já apresenta formações de Floresta Amazônica. É essa combinação que torna o Tocantins um elo geográfico entre as duas regiões do país.

Estados Vizinhos e Fronteiras do Tocantins

O Tocantins faz fronteira com cinco Estados. Ao norte, divide limites com o Estado do Maranhão e com o Estado do Pará. A leste, a fronteira é com o Estado da Bahia e com o Piauí. Ao sul, faz limite com o Estado de Goiás, de onde se originou, e a oeste, com o Estado de Mato Grosso.

Esse conjunto de fronteiras faz do Tocantins um corredor entre o Norte, o Nordeste e o Centro-Oeste do país. A posição favorece o escoamento da produção agropecuária pela rodovia Belém-Brasília. A rodovia corta o Estado de norte a sul ao longo de cerca de 970 km. Nenhum outro Estado da Região Norte reúne tantas fronteiras com Estados de outras regiões do país, reflexo direto da posição central do Tocantins no mapa do Brasil.

Geografia Física do Tocantins

A geografia física do Tocantins combina planície e planalto, com a maior parte do território abaixo de 500 metros de altitude. Essa base de relevo suave, somada à bacia Tocantins-Araguaia, explica a predominância da pecuária e da agricultura mecanizada no Estado, recortado por rios de grande porte que correm de sul a norte.

O Estado reúne também unidades de conservação que preservam essa geografia, como o Parque Estadual do Cantão, no encontro dos biomas Cerrado, Amazônico e Pantaneiro, e o Parque Nacional do Araguaia, dentro da Ilha do Bananal, maior ilha fluvial do mundo.

Relevo do Tocantins

O relevo do Tocantins é predominantemente plano, com a maior parte do território situada abaixo de 500 metros de altitude. O ponto mais alto do Estado é a Serra das Traíras, com 1.340 metros, próxima ao limite com a Bahia. Esse relevo suave favorece a mecanização agrícola e o traçado das rodovias que cruzam o Estado de norte a sul.

No sul, entre as bacias do Araguaia e do Tocantins, o relevo forma planaltos entre 300 e 600 metros de altitude. Já no médio Araguaia, próximo à fronteira com o Mato Grosso, a planície se alaga na estação chuvosa, moldando a Ilha do Bananal. Esse padrão de planície inundável também aparece em trechos do Bico do Papagaio, no extremo norte do Estado.

Clima do Tocantins

O clima predominante no Tocantins é o tropical, com duas estações bem definidas: uma seca, entre abril ou maio e setembro, e outra chuvosa, entre outubro e março. As temperaturas médias giram em torno de 32°C no período seco e de 26°C no período chuvoso, segundo dados gerais de clima para o Estado.

Essa sazonalidade molda o calendário agrícola e turístico tocantinense. A estação seca facilita o acesso a regiões como o Jalapão, de estradas de terra, enquanto a estação chuvosa enche os rios e alaga boa parte da Ilha do Bananal, formando os pantanais sazonais que atraem a pesca esportiva.

Hidrografia: Rios do Tocantins

A hidrografia do Tocantins pertence quase inteiramente à bacia Tocantins-Araguaia. Os dois rios dão nome ao Estado e correm em direção ao Pará, onde desaguam na Baía de Marajó. Entre os afluentes de maior porte, destacam-se o Rio do Sono, o Rio Balsas e o Rio Paranã, que cortam o território de sul a norte.

Essa rede hídrica sustenta o potencial hidrelétrico do Estado e atrações turísticas como o Rio Novo, que forma as cachoeiras do Jalapão, e a própria Ilha do Bananal, formada pela bifurcação do Rio Araguaia em dois braços que voltam a se encontrar mais ao norte.

Vegetação e Biomas do Tocantins

O Cerrado cobre cerca de 90% do território tocantinense, com campos abertos e matas de galeria ao longo dos rios. No extremo norte, perto do Pará e do Maranhão, a vegetação já apresenta formações de transição para a Floresta Amazônica, enquanto nas margens dos Rios Araguaia e Tocantins aparecem trechos de Mata Atlântica de interior.

Essa diversidade de biomas sustenta espécies como a onça-pintada, o tamanduá-bandeira e o tuiuiú, e justifica a criação de unidades de conservação como o Parque Estadual do Cantão, que reúne características dos biomas Cerrado, Amazônico e Pantaneiro numa mesma área, no município de Pium. Essa combinação de biomas é rara em outros Estados brasileiros e um dos motivos pelos quais pesquisadores de todo o país estudam a região. O panorama nacional desses dois temas está nos guias de Relevo do Brasil e Clima do Brasil.

Vista aérea das Serras Gerais, relevo típico do Estado do Tocantins
Crédito: Gustavo Serrate / Pexels, licença gratuita (Serras Gerais, Tocantins).

Mapa e Cidades do Tocantins

O mapa do Tocantins mostra um território recortado pela rodovia Belém-Brasília, eixo que concentra a maior parte das cidades do Tocantins e da população estadual. A capital, Palmas, ocupa posição central no mapa, às margens do Rio Tocantins, enquanto o interior se divide entre o Bico do Papagaio, ao norte, e o Jalapão, a leste.

O Estado soma 139 municípios, segundo o IBGE, concentrados sobretudo no eixo Palmas-Araguaína. Essa distribuição reflete a própria história de ocupação do território, iniciada pela navegação dos rios Araguaia e Tocantins e consolidada pela construção da rodovia Belém-Brasília, a partir da década de 1960. Boa parte dos municípios tocantinenses nasceu justamente ao longo dessa rodovia, que corta o Estado de ponta a ponta e segue sendo o principal eixo de escoamento da produção agrícola.

Palmas, a Capital do Tocantins

Palmas é a capital do Estado do Tocantins, com 302.692 habitantes no Censo 2022 do IBGE. A construção da cidade começou em 20 de maio de 1989, como cidade planejada, para substituir Miracema do Tocantins como sede definitiva do governo estadual. O projeto urbanístico, assinado pelos arquitetos Luís Fernando Cruvinel Teixeira e Walfredo Antunes de Oliveira Filho, organizou a cidade em quadras amplas e avenidas largas, modelo que ainda caracteriza o traçado urbano da capital.

A cidade concentra a maior fatia do PIB municipal do Estado, R$ 14,1 bilhões em 2023, segundo o IBGE, e funciona como centro administrativo, comercial e universitário do Tocantins, à beira do lago formado pela Usina Hidrelétrica de Lajeado, no Rio Tocantins. O lago de Palmas, formado após a conclusão da usina, tornou-se também ponto de lazer e de esportes náuticos para a população local.

Principais Municípios do Tocantins

Araguaína é o segundo município mais populoso do Estado e principal polo industrial, com PIB de R$ 7,3 bilhões em 2023. A cidade funciona como centro de distribuição entre o Tocantins e o Pará, beneficiada pela posição no eixo da rodovia Belém-Brasília. Gurupi, com PIB de R$ 3,7 bilhões, funciona como polo agroindustrial no sul do território, enquanto Porto Nacional preserva o patrimônio histórico erguido pelos padres dominicanos no século XIX, às margens do Rio Tocantins.

Outros municípios relevantes incluem Paraíso do Tocantins, Araguatins, Colinas do Tocantins, Miracema do Tocantins, Tocantinópolis e Guaraí, distribuídos ao longo da rodovia Belém-Brasília e das margens dos rios Araguaia e Tocantins. Miracema do Tocantins guarda papel histórico particular: foi a primeira capital do Estado, entre 1989 e 1990, antes da transferência dos poderes para Palmas. Juntas, essas cidades do Tocantins concentram boa parte da produção agropecuária e dos serviços do interior do Estado.

População do Estado do Tocantins

A população do Estado do Tocantins chegou a 1.511.460 habitantes no Censo 2022 do IBGE, com estimativa de 1.586.859 habitantes para 1º de julho de 2024, segundo estimativa populacional do IBGE. Esse contingente faz do Tocantins o Estado menos populoso da Região Norte depois do Amapá e de Roraima.

A maior parte da população tocantinense vive ao longo da rodovia Belém-Brasília, entre Palmas e Araguaína, enquanto o Bico do Papagaio, ao norte, e o Jalapão, a leste, têm ocupação mais rarefeita. Essa distribuição reflete o próprio histórico de colonização do território, concentrado no eixo rodoviário desde a década de 1960, com migrantes vindos sobretudo de Goiás, do Maranhão, do Piauí e da Bahia.

Boa parte da população se concentra em áreas urbanas, reflexo do crescimento acelerado de Palmas e de Araguaína nas últimas décadas, enquanto os seis grupos indígenas do Estado — Karajá, Javaé, Apinajé, Krahô, Xerente e Xambioá — vivem em reservas e parques demarcados, sobretudo ao longo do Rio Araguaia.

Densidade Demográfica do Tocantins

A densidade demográfica do Estado é de 5,45 habitantes por km², segundo o Censo 2022, uma das mais baixas do país, resultado de um território extenso e ainda pouco ocupado fora do eixo Palmas-Araguaína. O Índice de Desenvolvimento Humano do Tocantins é de 0,731, segundo o PNUD, referente a 2021.

Essa baixa densidade acompanha o padrão de ocupação recente do Estado, criado há pouco mais de três décadas e ainda em expansão demográfica, puxada pela migração para a capital e para os polos do agronegócio no sul do território.

Economia do Tocantins

A economia do Estado do Tocantins somou R$ 64,3 bilhões em PIB em 2023, segundo o IBGE. O crescimento real foi de 7,9% no ano, a segunda maior taxa entre os Estados brasileiros, atrás apenas do Mato Grosso do Sul. O resultado representou avanço em relação aos R$ 58,2 bilhões registrados em 2022. O PIB per capita chegou a R$ 42.553,36, com o Tocantins respondendo por cerca de 0,6% do PIB nacional.

Palmas concentra a maior fatia municipal da economia estadual, R$ 14,1 bilhões em 2023, seguida por Araguaína, com R$ 7,3 bilhões, e Gurupi, com R$ 3,7 bilhões. Juntos, os três municípios somam uma parcela relevante de todo o PIB tocantinense, reflexo da concentração econômica no eixo da rodovia Belém-Brasília. Esses números integram o panorama mais amplo da Economia do Brasil.

Principais Setores Econômicos do Tocantins

A agropecuária é a base da economia tocantinense, com destaque para a soja, o milho e a pecuária bovina de corte, cultivados sobretudo no eixo da rodovia Belém-Brasília e no Vale do Araguaia. A expansão da fronteira agrícola no sul do Estado, em municípios como Gurupi e Formoso do Araguaia, impulsionou o crescimento do PIB estadual registrado em 2023. A mineração extrai estanho, calcário e ouro, ainda com potencial pouco explorado em boa parte do território.

A indústria se concentra em Araguaína e em Gurupi, com destaque para a fabricação de alimentos e de móveis, além do processamento de grãos ligado à produção agrícola do entorno. Os serviços, puxados pelo comércio, pela saúde e pela administração pública em Palmas, completam a base econômica do Estado mais recente do Brasil, respondendo pela maior parte dos empregos formais tocantinenses.

História do Tocantins

A história do Tocantins como território diferenciado remonta a 1821, quando lideranças de Natividade e Cavalcante proclamaram um governo autônomo separado de Goiás, sufocado pouco depois. A ideia de separação do norte goiano voltou a ganhar força ao longo do século XX, até se concretizar na Constituição de 1988. Esse processo se liga ao panorama mais amplo da História do Brasil.

Antes disso, a ocupação da região já havia começado em 1625, com missionários que subiram o Rio Tocantins fundando missões religiosas, e avançou no século XVIII com bandeirantes paulistas em busca do ouro descoberto em Goiás. Essa ocupação dividiu o território entre uma cultura do norte, ligada ao Maranhão e ao Pará, e uma cultura do sul, ligada a Goiás e a São Paulo — diferença que alimentou o próprio movimento separatista.

Ao longo do século XX, a proposta de criar um novo Estado no norte de Goiás foi reapresentada em mais de uma ocasião ao Congresso Nacional, sem sucesso. A construção da rodovia Belém-Brasília, a partir da década de 1960, acelerou a ocupação do Bico do Papagaio e reforçou os argumentos a favor da divisão do território, que só se concretizou com a redemocratização do país, ao final da década de 1980.

Desmembramento de Goiás e Criação do Tocantins

Em 5 de outubro de 1988, o artigo 13 do Ato das Disposições Constitucionais Transitórias da nova Constituição Federal desmembrou a porção norte do Estado de Goiás, criando o Estado do Tocantins. O novo Estado foi oficialmente instalado em 1º de janeiro de 1989, com Miracema do Tocantins escolhida como capital provisória, por já contar com alguma infraestrutura administrativa.

Esse desmembramento atendia a um movimento histórico que remontava ao século XIX e que se intensificou a partir da década de 1960, com a construção da rodovia Belém-Brasília e o crescimento populacional do norte goiano.

Fundação de Palmas, a Capital Mais Jovem do Brasil

A construção de Palmas começou em 20 de maio de 1989, com a cidade planejada para ser a capital definitiva do novo Estado, numa área às margens do Rio Tocantins. A transferência dos poderes constituídos de Miracema do Tocantins para Palmas ocorreu em 1º de janeiro de 1990.

Nos anos seguintes, a população de Palmas cresceu rapidamente, atraída pelas oportunidades de uma capital recém-criada, até chegar aos 302.692 habitantes registrados no Censo 2022 do IBGE — uma trajetória que faz de Palmas a mais jovem entre as capitais estaduais brasileiras. Miracema do Tocantins, por sua vez, voltou a ser um município comum depois da transferência da capital, hoje com papel histórico lembrado sobretudo pelo breve período em que sediou o governo do Estado mais novo do país.

Cultura do Tocantins

A cultura do Tocantins combina a herança religiosa trazida pelos bandeirantes e missionários com a diversidade de povos indígenas que ainda vivem no território, como os Karajá, os Javaé, os Apinajé, os Krahô e os Xerente. Esse patrimônio aparece nas construções históricas de Porto Nacional, como a Catedral de Nossa Senhora das Mercês, erguida por padres dominicanos e concluída em 1904, hoje parte do centro histórico tombado pelo IPHAN em 2008.

A culinária tocantinense reflete essa mesma mistura de influências, com peixes de água doce como o pintado e o tucunaré, além de pratos à base de arroz, mandioca e carne de sol, comuns também em Goiás e no Maranhão, Estados de origem de boa parte dos migrantes que colonizaram o território. O artesanato indígena, sobretudo o dos povos Karajá, com suas cerâmicas e bonecas de cerâmica reconhecidas em todo o país, também integra a produção cultural do Estado.

Festas e Tradições do Tocantins

A Romaria do Senhor do Bonfim, realizada em agosto em Natividade, é a maior tradição religiosa do Estado, com origem associada a 1750, quando a imagem do santo foi encontrada às margens do povoado de Bonfim. Romeiros percorrem cerca de 23 km entre Natividade e o povoado, a pé, a cavalo ou de bicicleta, até a missa principal, celebrada em 15 de agosto.

Outras tradições populares incluem festejos ligados à colonização do território, como celebrações de Nossa Senhora do Rosário, em Natividade, e de Nossa Senhora da Consolação, em Tocantinópolis, ambas associadas a igrejas históricas erguidas ainda no século XIX.

Turismo no Tocantins

O turismo no Tocantins se divide entre o ecoturismo do Jalapão, a leste, a navegação e a pesca esportiva na Ilha do Bananal, a oeste, e o turismo histórico de cidades como Porto Nacional e Natividade. Essas três frentes fazem do Tocantins um dos destinos de natureza mais procurados do Norte do Brasil.

O acesso ao Estado se concentra no Aeroporto de Palmas, que recebe voos diretos de Brasília, Goiânia e São Paulo, o que torna a capital a porta de entrada da maior parte dos visitantes. Dali, o deslocamento até o Jalapão e a Ilha do Bananal depende de estradas de terra e, em trechos da ilha, de embarcações pelo Rio Araguaia. A rede hoteleira é mais estruturada em Palmas e nos municípios de apoio ao ecoturismo, como Mateiros e Ponte Alta do Tocantins, enquanto o restante do roteiro funciona com pousadas menores e guias locais. A estação seca, entre maio e setembro, concentra a maior parte dos visitantes por oferecer estradas mais firmes e rios em nível mais baixo para o acesso.

Jalapão: Dunas, Cachoeiras e Trekking

O Jalapão é uma região de cerca de 34 mil km² no leste do Tocantins, que reúne dunas de areia alaranjada, cachoeiras e poços de águas cristalinas dentro do bioma Cerrado. A área se estende por sete municípios, entre eles Mateiros e Ponte Alta do Tocantins, principais portas de entrada para quem visita a região.

Entre as atrações mais procuradas estão a Cachoeira da Velha, alimentada pelo Rio Novo, e a Cachoeira da Fumaça. O acesso costuma ser feito por estradas de terra, com veículo 4×4, e boa parte dos passeios é feita a pé, em trilhas de trekking entre as dunas e os poços naturais. A estação seca, entre maio e setembro, é considerada a melhor época para visitar a região, com estradas mais firmes e rios em nível mais baixo para a travessia.

Ilha do Bananal

A Ilha do Bananal é a maior ilha fluvial do mundo, com cerca de 2 milhões de hectares, formada pela bifurcação do Rio Araguaia em dois braços, o Araguaia e o Javaés. Parte do seu território integra o Parque Nacional do Araguaia, administrado pelo governo federal, e o Parque Indígena do Araguaia, habitado pelos povos Karajá e Javaé.

Na estação chuvosa, entre outubro e março, boa parte da ilha fica alagada, formando lagoas que atraem a pesca esportiva e a observação de aves. O acesso é feito principalmente pelo Rio Araguaia, a partir de municípios como Pium e Lagoa da Confusão, com embarcações que também servem de meio de transporte para as comunidades indígenas locais.

Outros Atrativos Turísticos do Tocantins

O distrito de Taquaruçu, a cerca de 22 km de Palmas, reúne cachoeiras e trilhas num relevo mais acidentado que o resto do Estado, funcionando como opção de ecoturismo próxima à capital, procurada sobretudo em fins de semana por moradores da região metropolitana. Porto Nacional e Natividade completam o roteiro histórico do Tocantins, com seus centros tombados, suas igrejas do século XIX e suas festas religiosas centenárias, caso da Romaria do Senhor do Bonfim.

O Lago de Palmas, formado pela Usina Hidrelétrica de Lajeado no Rio Tocantins, atrai turismo náutico e esportes a motor às margens da capital, com orla urbanizada e pontos de observação do pôr do sol. Mais ao sul, o Parque Estadual do Cantão, no município de Pium, reúne trilhas e passeios de barco pelo encontro dos biomas Cerrado, Amazônico e Pantaneiro, procurado por quem busca observação de aves e de onças-pintadas em ambiente preservado. Porto Nacional, além do centro histórico, oferece passeios de barco pelo Rio Tocantins e acesso à represa de Lajeado, reunindo turismo histórico e de natureza num mesmo roteiro.

Estrada cênica entre a vegetação de Taquaruçu, distrito turístico de Palmas, no Estado do Tocantins
Crédito: Gleive Marcio Rodrigues de Souza / Pexels, licença gratuita (Taquaruçu, Palmas, TO).

Curiosidades sobre o Estado do Tocantins

O Tocantins é o único Estado brasileiro cuja capital foi planejada e construída depois da própria criação do Estado, situação que também ocorreu com Goiânia e Brasília, mas em contextos distintos de desmembramento territorial. Palmas também é a capital mais ao centro do território estadual entre as capitais do Norte do país.

A Ilha do Bananal, dentro do território tocantinense, é maior do que alguns países, como El Salvador. O Estado também não tem litoral e não faz fronteira com nenhum país vizinho, cercado inteiramente por outros cinco Estados brasileiros, o que o torna um dos poucos Estados totalmente interiores do Brasil.

O nome Tocantins vem do rio que corta o Estado de sul a norte, cuja origem mais citada remete a termos de língua tupi ligados a “bico” ou “nariz de tucano”. O gentílico dos nascidos no Estado é tocantinense, termo que também nomeia o jornalismo e as instituições locais.

Entre os seis grupos indígenas que vivem no território tocantinense, Karajá e Javaé ocupam o Parque Indígena do Araguaia, dentro da Ilha do Bananal, enquanto os Apinajé, os Krahô, os Xerente e os Xambioá mantêm reservas demarcadas em outros pontos do Estado. A bandeira do Tocantins, como a dos demais Estados, aparece reunida no guia de Bandeiras dos Estados do Brasil.

Vale a Pena Conhecer o Estado do Tocantins?

Vale a pena conhecer o Estado do Tocantins por reunir, num território criado há pouco mais de três décadas, atrativos naturais que vão das dunas do Jalapão à maior ilha fluvial do mundo, a do Bananal. Essa combinação de ecoturismo e pesca esportiva é rara mesmo entre Estados mais antigos do Norte e do Centro-Oeste do país.

Soma-se a isso uma economia que cresceu 7,9% em 2023, a segunda maior taxa do país no período, e cidades como Porto Nacional e Natividade, que preservam a história da ocupação do território desde o século XVIII. A Romaria do Senhor do Bonfim e as festas religiosas do interior completam esse roteiro com um calendário cultural próprio, distinto do restante da Região Norte.

Para quem busca natureza preservada e história recente num mesmo destino, o Tocantins reúne as duas coisas num só roteiro, com a vantagem de estar a poucas horas de voo da maior parte das capitais do Centro-Sul do país, graças à posição central de Palmas no mapa do Brasil.

Perguntas Frequentes sobre o Estado do Tocantins

Qual é a capital do Estado do Tocantins?

A capital é Palmas, com 302.692 habitantes no Censo 2022 do IBGE. A construção da cidade começou em 20 de maio de 1989, e os poderes estaduais foram transferidos para lá em 1º de janeiro de 1990, substituindo Miracema do Tocantins.

Quando o Tocantins foi criado?

O Tocantins foi criado pela Constituição Federal de 1988, que desmembrou o norte do Estado de Goiás. O novo Estado foi oficialmente instalado em 1º de janeiro de 1989, tornando-se o mais recente do Brasil.

Qual é a população do Tocantins?

O Tocantins tem 1.511.460 habitantes, segundo o Censo 2022 do IBGE, com estimativa de 1.586.859 habitantes para 1º de julho de 2024. A densidade demográfica é de 5,45 habitantes por km², distribuídos em 139 municípios.

Qual é o maior atrativo turístico do Tocantins?

O Jalapão é o principal atrativo turístico do Estado, com dunas, cachoeiras como a da Velha e da Fumaça, e trilhas de trekking. A Ilha do Bananal, maior ilha fluvial do mundo, completa o roteiro de ecoturismo tocantinense.

Quantos municípios tem o Tocantins?

O Tocantins tem 139 municípios, segundo o IBGE, concentrados sobretudo ao longo da rodovia Belém-Brasília, entre a capital Palmas e Araguaína, o segundo município mais populoso do Estado.


O Estado do Tocantins reúne, em 277.423,625 km² no centro-norte do Brasil, um território que atravessa o Cerrado e se abre para a Floresta Amazônica, com a Ilha do Bananal e o Jalapão como símbolos naturais mais conhecidos. Criado pela Constituição de 1988 e instalado em 1º de janeiro de 1989, é o Estado mais novo do país, com Palmas como a mais jovem entre as capitais estaduais brasileiras, erguida do zero às margens do Rio Tocantins a partir de 1989.

Os números do IBGE confirmam esse perfil recente: 1.511.460 habitantes no Censo de 2022, PIB de R$ 64,3 bilhões em 2023, com crescimento de 7,9% no ano, e um IDH de 0,731, segundo o PNUD. Entre a força do agronegócio, a história que remonta às missões religiosas do século XVII, os povos indígenas que ainda vivem às margens do Araguaia e o ecoturismo do Jalapão e da Ilha do Bananal, o Tocantins combina geografia, história e economia num território que também é o mais jovem do mapa brasileiro.

Foto de destaque: Gustavo Serrate / Pexels, licença gratuita (Tocantins, TO).

Sobre o autor

Marta F.

Marta F. é tecnóloga em Processamento de Dados e criou o Brasil Channel em 2000. Em pouco mais de um ano no ar, já passava de 90 mil visitas. Em mais de duas décadas, reuniu milhares de páginas sobre geografia, história e cultura dos estados, capitais e municípios do Brasil — hoje em reformulação completa. Artigos do site são citados pela Wikipédia, por prefeituras e por universidades como fonte de pesquisa.