Estado do Espírito Santo: Geografia, História e Cultura

O Estado do Espírito Santo ocupa 46.074,44 km² no leste da Região Sudeste do Brasil, segundo o IBGE (2025). Faz limite com a Bahia, Minas Gerais e o Rio de Janeiro, com um litoral de cerca de 400 km voltado para o Oceano Atlântico. A capital é Vitória, erguida numa ilha na baía que leva o mesmo nome. O Censo 2022 do IBGE contou 3.833.712 habitantes no território capixaba, com estimativa de 4.126.854 pessoas para 2025. O nome do Estado vem da data em que o primeiro donatário, Vasco Fernandes Coutinho, tomou posse da terra: 23 de maio de 1535, domingo de Pentecostes, chamado no calendário católico de domingo do Espírito Santo.
A economia do Estado do Espírito Santo combina café, petróleo e siderurgia. O Estado é o maior produtor nacional de café conilon e voltou, em 2025, à segunda posição entre os maiores produtores de petróleo do Brasil, atrás apenas do Rio de Janeiro. Em Vitória e na Serra funciona um dos maiores complexos de minério de ferro e aço do país, ligado à Vale e à ArcelorMittal Tubarão. O PIB estadual somou R$ 209,8 bilhões em 2023, segundo o Instituto Jones dos Santos Neves (IJSN), órgão capixaba do Sistema de Contas Regionais do IBGE.
A história do Estado do Espírito Santo começou com a Capitania doada a Vasco Fernandes Coutinho e seguiu com ondas sucessivas de imigração. A partir de 1823, chegaram suíços, alemães, holandeses e açorianos, atraídos pela cafeicultura. Em 1874, um grupo de imigrantes italianos se fixou em Santa Teresa, hoje reconhecida por lei federal como a primeira cidade italiana do Brasil. Entre 1856 e 1859, pomeranos se instalaram na região de Santa Leopoldina, dando origem a Santa Maria de Jetibá, considerada o município mais pomerano do país. Essa mistura de povos moldou pratos como a moqueca e a torta capixaba, preparados nas tradicionais panelas de barro de Goiabeiras, em Vitória.
O território capixaba também guarda atrativos naturais pouco comuns num Estado de tamanho médio. A Mata Atlântica cobre parte do interior serrano, onde o naturalista Augusto Ruschi estudou os colibris que deram ao Espírito Santo o apelido de Terra dos Beija-Flores. Na fronteira com Minas Gerais, dentro do Parque Nacional do Caparaó, está o Pico da Bandeira, com 2.892 metros de altitude, o terceiro ponto mais alto do Brasil. No litoral, praias como as de Guarapari e as dunas de Itaúnas dividem espaço com o Convento da Penha, em Vila Velha, e com o clima frio da região serrana, em cidades como Domingos Martins e Venda Nova do Imigrante.
Este guia reúne a localização, a geografia física, o clima, a população, as cidades, a economia, a história, a cultura, a bandeira, o turismo e as praias do Estado do Espírito Santo, com dados do IBGE, do IJSN, da ANP e da Conab. Cada seção parte de uma pergunta direta sobre o Estado e responde com números atuais, da área territorial aos principais municípios por população.
| Característica | Dado |
|---|---|
| Região | Sudeste |
| Capital | Vitória |
| Sigla | ES |
| Área | 46.074,44 km² (IBGE, 2025) |
| População (Censo 2022) | 3.833.712 habitantes |
| População estimada (2025) | 4.126.854 habitantes |
| PIB (2023) | R$ 209,8 bilhões (IJSN/IBGE) |
| IDH | 0,771 (PNUD, 2021) |
| Municípios | 78 |
| Clima | Tropical |
| Gentílico | Capixaba |
Onde fica o Estado do Espírito Santo?
O Estado do Espírito Santo fica no leste da Região Sudeste do Brasil, numa faixa estreita entre o interior montanhoso e o Oceano Atlântico. Essa posição explica por que o território reúne, num espaço de apenas 46.074,44 km², paisagens que vão da baixada litorânea às serras com clima frio da fronteira mineira. Vitória, a capital, está a cerca de 520 km do Rio de Janeiro e a 880 km de São Paulo, ligada às duas capitais por rodovias e por voos diretos.
Essa localização fez do Estado do Espírito Santo um corredor histórico entre o Rio de Janeiro e a Bahia, usado desde o período colonial para o escoamento de açúcar e, mais tarde, de café e de minério de ferro. A faixa costeira concentra a maior parte da população e da economia estadual, enquanto o interior serrano preserva remanescentes de Mata Atlântica e a herança dos imigrantes europeus que colonizaram a região a partir do século XIX.
Mapa do Espírito Santo e Localização no Mapa do Brasil
O mapa do Espírito Santo mostra um território alongado no sentido norte-sul, com cerca de 400 km de litoral e uma faixa de serras que se estreita conforme avança para o interior. A capital, Vitória, ocupa uma ilha na baía homônima, ligada ao continente por pontes, numa posição central em relação ao litoral estadual.
No mapa do Brasil, o Espírito Santo aparece como o menor Estado da Região Sudeste em área territorial, encaixado entre três vizinhos de extensão muito maior. Essa posição geográfica deu ao Estado um papel de elo rodoviário e portuário entre o Sudeste e o Nordeste do país, reforçado pela Rodovia Estrada de Ferro Vitória-Minas e pela BR-101, que corta o território de norte a sul.
Fronteiras: Bahia, Minas Gerais e Rio de Janeiro
O Estado do Espírito Santo faz fronteira com três Estados. Ao norte, divide limites com o Estado da Bahia, na altura do rio Itabapoana e de municípios como Mucurici e Ponto Belo. Ao norte e a noroeste, a fronteira é com o Estado de Minas Gerais, na Serra do Caparaó, onde está o Pico da Bandeira. Ao sul, o limite é com o Estado do Rio de Janeiro, próximo ao rio Itabapoana e à Região Norte Fluminense.
A leste, o Espírito Santo é banhado pelo Oceano Atlântico ao longo de todo o seu litoral. Esse conjunto de fronteiras faz do Estado um ponto de passagem natural entre o Sudeste e o Nordeste, usado historicamente pelo tráfego de cabotagem e, hoje, pela rodovia BR-101 e pela malha ferroviária que liga Vitória ao interior de Minas Gerais.
Geografia Física do Espírito Santo: Relevo e Hidrografia
A geografia física do Estado do Espírito Santo se divide em duas unidades principais: a baixada litorânea, que ocupa cerca de 40% do território, e o planalto serrano, no interior. Essa combinação explica a diversidade de paisagens do Estado, da restinga arenosa do litoral aos picos acima de 2.800 metros na fronteira com Minas Gerais.
O planalto capixaba tem altitude média entre 600 e 700 metros, com vales, cachoeiras e grutas moldados ao longo de milhões de anos. É nessa região serrana que vivem a maior parte das comunidades descendentes de imigrantes europeus, atraídas no século XIX pelo clima mais ameno, parecido com o do continente europeu.
Relevo, Rio Doce e Pico da Bandeira
O ponto culminante do Estado do Espírito Santo é o Pico da Bandeira, com 2.892 metros de altitude, segundo o Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio). É o terceiro ponto mais alto do Brasil, atrás apenas do Pico da Neblina e do Pico 31 de Março, ambos no Amazonas. O pico está na Serra do Caparaó, dentro do Parque Nacional do Caparaó, na divisa entre o município de Ibitirama, no Espírito Santo, e Alto Caparaó, em Minas Gerais.
O principal rio do Estado é o Rio Doce, que nasce em Minas Gerais e deságua no município de Linhares, no norte capixaba. Outros rios relevantes são o São Mateus, o Itaúnas, o Itapemirim, o Jucu e o Benevente, que cortam o território em direção ao Atlântico. Essa rede hídrica sustenta parte da agricultura irrigada e da geração de energia do Estado.
Mata Atlântica e Vegetação
A vegetação original do Espírito Santo é a Mata Atlântica, hoje reduzida a fragmentos concentrados sobretudo no norte do Estado e nas áreas de maior altitude da região serrana. No litoral, restingas e manguezais ocupam as faixas arenosas e os estuários dos principais rios, com destaque para o manguezal do rio Piraquê-Açu, em Aracruz.
Essas florestas remanescentes abrigam espécies estudadas pelo naturalista ítalo-brasileiro Augusto Ruschi, que viveu em Santa Teresa e dedicou parte da carreira ao estudo dos colibris da região, hábito que deu ao Espírito Santo o apelido de Terra dos Beija-Flores. A Mata Atlântica capixaba também preserva orquídeas nativas, estudadas desde o século XX em reservas como a antiga estação biológica criada pelo próprio Ruschi, em Santa Teresa.

Clima do Espírito Santo
O clima predominante no Estado do Espírito Santo é o tropical, mas varia bastante entre o litoral e a região serrana. Na faixa costeira, onde vive a maior parte da população, a temperatura média anual fica acima de 22°C, segundo caracterização do IBGE para o Estado, com umidade elevada ao longo do ano.
Na região serrana, a situação é diferente. Municípios como Domingos Martins e distritos de altitude, caso de Aracê, registram temperaturas bem mais baixas no inverno. Em julho de 2019, o Incaper, órgão de pesquisa agropecuária do Estado, registrou 3°C em Aracê, a madrugada mais fria do ano no Espírito Santo naquele período.
Essa diferença térmica entre o litoral quente e úmido e a serra fria e seca no inverno molda o calendário agrícola e turístico capixaba. É também o que torna possível, a poucas horas de distância, alternar entre praias de água morna e pousadas de montanha com lareira, uma combinação pouco comum em outros Estados do Sudeste.
População do Espírito Santo
A população do Estado do Espírito Santo é de 3.833.712 habitantes, segundo o Censo 2022 do IBGE, com densidade demográfica de 83,21 habitantes por km². A estimativa para 2025 é de 4.126.854 pessoas, o que representa um crescimento de cerca de 0,60% em relação ao ano anterior.
A maior parte da população capixaba vive na faixa litorânea, sobretudo na Região Metropolitana da Grande Vitória, que concentrou 49,1% dos habitantes do Estado no Censo 2022. O interior serrano, por sua vez, reúne a maior parte dos descendentes de imigrantes europeus, em municípios de densidade demográfica mais baixa.
Entre os grupos indígenas, Aracruz mantém reservas de povos como Caieiras Velhas, Comboios e Tupinikim, que ocupam uma área de cerca de 4.492 hectares no norte do Estado. Essa presença indígena remonta à colonização do século XVI, quando os primeiros colonos portugueses entraram em contato e em conflito com os povos goitacases e aimorés que já habitavam a região.
Cidades do Espírito Santo: Vitória e os 78 Municípios
O Estado do Espírito Santo tem 78 municípios, distribuídos em quatro regiões de planejamento: Metropolitana, Noroeste, Norte e Sul. Essa divisão organiza o planejamento estadual e orienta a prestação de serviços públicos, com a Região Metropolitana concentrando a maior parte da população, da economia e da infraestrutura de transportes.
A distribuição dos municípios capixabas reflete a própria história de ocupação do território. O litoral, colonizado desde o século XVI, reúne cidades maiores e mais antigas, enquanto o interior serrano, ocupado principalmente a partir do século XIX pela imigração europeia, concentra municípios menores, de economia agrícola.
Vitória, a Capital do Espírito Santo
Vitória é a capital do Espírito Santo, com 322.869 habitantes no Censo 2022 do IBGE. A cidade ocupa a Ilha de Santo Antônio, na baía de Vitória, e se tornou sede da Capitania em 1549, depois que ataques indígenas e invasões estrangeiras forçaram o abandono da primeira vila, fundada em Vila Velha.
Hoje Vitória funciona como centro administrativo, portuário e financeiro do Estado, com um dos complexos portuários mais movimentados do país. O Porto de Tubarão, erguido pela Vale em 1966, está entre os maiores do Brasil em tonelagem de minério de ferro exportada, enquanto o centro histórico da capital preserva construções como o Palácio Anchieta, sede do governo estadual desde o século XVI.
Grande Vitória: Região Metropolitana
A Região Metropolitana da Grande Vitória ocupa cerca de 1.444 km² e reúne Vitória, Vila Velha, Cariacica, Serra, Viana, Fundão e Guarapari. Juntos, esses municípios concentraram 49,1% da população capixaba no Censo 2022, segundo o IBGE, o que faz da Grande Vitória a área mais densamente ocupada do Estado.
Esse adensamento populacional acompanha a concentração da indústria capixaba, com os complexos siderúrgico e de pelotização de minério de ferro instalados em Vitória e na Serra, além do porto de exportação de celulose em Vila Velha e do polo de serviços da própria capital.
Maiores Cidades do Espírito Santo por População
| Município | População (Censo 2022) |
|---|---|
| Serra | 520.649 |
| Vila Velha | 467.722 |
| Cariacica | 353.510 |
| Vitória (capital) | 322.869 |
| Cachoeiro de Itapemirim | 185.784 |
Serra é o município mais populoso do Espírito Santo, com 520.649 habitantes, segundo o Censo 2022, superando a própria capital. A cidade também registrou o maior ganho absoluto de população do Estado entre 2010 e 2022, com acréscimo de cerca de 103 mil pessoas, impulsionado pela expansão industrial e habitacional da Grande Vitória.
Cachoeiro de Itapemirim, no sul do Estado, é o maior município fora da Região Metropolitana, com 185.784 habitantes, e funciona como polo regional de mármore e granito. Linhares, Guarapari, São Mateus e Colatina completam a lista dos municípios mais populosos do interior e do litoral norte capixaba.
Economia do Espírito Santo
A economia do Estado do Espírito Santo somou R$ 209,8 bilhões em PIB em 2023, segundo o Instituto Jones dos Santos Neves (IJSN), representante capixaba no Sistema de Contas Regionais do IBGE. O crescimento real foi de 3,4% no ano, acima da média nacional, de 3,2%, e da média da Região Sudeste, de 2,7%. Esses números integram o panorama mais amplo da Economia do Brasil.
O Estado respondeu por 1,9% do PIB nacional em 2023, ocupando a 14ª posição entre as unidades da federação e a 9ª em PIB per capita, de R$ 54.733 por habitante. Essa posição reflete uma base econômica concentrada em poucos setores de alto valor agregado, da extração mineral à produção de celulose e café.
Café, Petróleo e Siderurgia: os Pilares Econômicos
O Estado do Espírito Santo é o maior produtor nacional de café conilon, com cerca de 68% da produção do grão no país, segundo estimativas da Companhia Nacional de Abastecimento (Conab) para a safra de 2025. A cultura se concentra no norte do Estado, em municípios como Linhares e São Mateus, e disputa espaço com o reflorestamento de eucalipto nas mesmas regiões.
Na produção de petróleo, o Espírito Santo retomou em 2025 a segunda posição entre os Estados brasileiros, atrás apenas do Rio de Janeiro, segundo dados da Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP). O campo de Jubarte, operado pela Petrobras, responde por 77,3% da produção estadual, reforçada pela entrada em operação do FPSO Maria Quitéria em outubro de 2024.
A siderurgia e a mineração completam a base econômica capixaba. A Vale opera em Vitória o maior complexo de pelotização de minério de ferro do mundo, enquanto a ArcelorMittal Tubarão, na Serra, produz aço para exportação. O Estado também é um dos maiores produtores e exportadores mundiais de celulose branqueada de fibra curta de eucalipto, cultivado em plantações à beira-mar no norte capixaba.
História do Espírito Santo: da Capitania à Formação do Estado
A história do Estado do Espírito Santo começou em 23 de maio de 1535, quando o donatário Vasco Fernandes Coutinho desembarcou na região, num domingo de Pentecostes, dia que deu nome à Capitania. Esses números integram o panorama mais amplo da História do Brasil sobre o período de colonização por capitanias hereditárias.
Ao longo dos séculos XVI e XVII, a jovem capitania enfrentou invasões de franceses, holandeses e ingleses, somadas a conflitos com os povos indígenas goitacases e aimorés. Essas dificuldades levaram à transferência da sede administrativa e à busca por riquezas minerais que só se confirmariam séculos depois, já sob outro ciclo econômico.
Colonização e Capitania do Espírito Santo
Vasco Fernandes Coutinho fundou a Vila do Espírito Santo, hoje Vila Velha, e construiu os primeiros engenhos de açúcar da capitania. Ataques indígenas e invasões estrangeiras forçaram o abandono dessa primeira sede, transferida em 1549 para a Ilha de Santo Antônio, que deu origem à atual Vitória. A chegada dos padres jesuítas em 1587, entre eles José de Anchieta, amenizou parte dos conflitos com os povos nativos.
Em 1667, a capitania foi vendida à Coroa portuguesa e ficou subordinada à Bahia, condição que só terminou em 1810, quando o território conquistou autonomia administrativa. A partir de 1823, a chegada de imigrantes suíços, alemães, holandeses e açorianos reanimou a economia capixaba pela cafeicultura, que se espalhou pelo interior e deu origem ao gentílico “capixaba”, palavra de origem tupi associada às plantações indígenas de milho e feijão na Ilha de Vitória.
Imigração Italiana e Pomerana
Em 1874, 388 imigrantes italianos chegaram ao Porto de Vitória a bordo do navio La Sofia, recrutados pelo fazendeiro trentino Pietro Tabacchi. Parte do grupo se fixou no núcleo de Timbuhy, hoje município de Santa Teresa, reconhecida pela Lei Federal 13.617, de 2017, como a primeira cidade italiana do Brasil. A imigração italiana depois se espalhou para Venda Nova do Imigrante, Colatina, Afonso Cláudio e outros municípios da região serrana.
Entre 1856 e 1859, imigrantes pomeranos se instalaram na Colônia de Santa Leopoldina, dando origem ao que hoje é Santa Maria de Jetibá, considerado o município mais pomerano do Brasil. A comunidade preserva até hoje a língua pomerana, a religião luterana e a agricultura familiar em pequenas propriedades, reforçadas pelo Programa de Educação Escolar Pomerana (Proepo), que leva o ensino bilíngue português-pomerano às escolas do município.
Cultura e Culinária do Espírito Santo
A cultura do Estado do Espírito Santo reflete a mistura entre a herança indígena e portuguesa do litoral e a presença de imigrantes italianos, pomeranos, alemães e suíços na região serrana. Essa diversidade aparece em instituições como o Instituto Histórico e Geográfico do Espírito Santo, a Academia Espírito-Santense de Letras e em museus ligados à cultura teuto-italiana nas cidades serranas.
O artesanato capixaba soma tradições distintas: as panelas de barro de Goiabeiras, em Vitória, feitas com argila do Vale do Mulembá e queimadas a céu aberto, e o artesanato de conchas de Piúma, com colares, pulseiras e enfeites produzidos por comunidades litorâneas. Para comparar esses pratos e técnicas com outras tradições regionais, vale consultar o artigo sobre Culinária do Brasil.
Moqueca e Torta Capixaba: a Culinária Local
A moqueca capixaba é um cozido de peixe ou frutos do mar preparado sem leite de coco ou dendê, ao contrário da versão baiana, sempre feito em panela de barro de Goiabeiras. O tempero se baseia em azeite, tomate, cebola, coentro e urucum, que dá à moqueca a cor alaranjada característica.
A torta capixaba, por sua vez, tem origem na tradição de comer peixe seco e bacalhau na Semana Santa, hoje enriquecida com camarão, siri e ovos, também assada na panela de barro. O ofício das paneleiras de Goiabeiras foi registrado pelo Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (IPHAN) em 2002, como um dos primeiros bens imateriais reconhecidos como Patrimônio Cultural do Brasil.
Bandeira do Espírito Santo e Outros Símbolos
A bandeira do Estado do Espírito Santo tem três faixas horizontais, nas cores azul-claro, branco e rosa, com o lema “Trabalha e Confia” escrito em letras pretas sobre a faixa branca central. O desenho é atribuído a Jerônimo de Sousa Monteiro, ex-governador do Estado, e foi oficialmente adotado em 24 de abril de 1947, pelo Decreto-lei estadual nº 16.618.
A cor rosa é rara entre as bandeiras estaduais brasileiras, o que já motivou projetos de lei para substituí-la pelo vermelho, sem sucesso até hoje. O artigo sobre Bandeiras dos Estados do Brasil reúne a origem e o simbolismo de cada uma das 27 bandeiras estaduais, incluindo os poucos casos em que uma cor incomum resistiu a mudanças.
O brasão do Espírito Santo foi instituído em 24 de julho de 1947, três meses depois da bandeira, segundo o Tribunal de Justiça do Estado. Ele reúne elementos como o café e a cana-de-açúcar, principais atividades econômicas da história capixaba, além de referências à data da colonização, em 1535.
Turismo no Espírito Santo: Principais Atrativos
O turismo no Estado do Espírito Santo se divide entre o litoral, a região serrana e o ecoturismo de montanha. No litoral, o Convento da Penha, em Vila Velha, construído a partir de 1558, é um dos principais destinos históricos e religiosos do Estado, com vista para a baía de Vitória.

Na região serrana, municípios como Domingos Martins, Santa Teresa e Venda Nova do Imigrante preservam a arquitetura e a gastronomia da imigração europeia, com destaque para a Festa da Polenta, realizada anualmente em Venda Nova do Imigrante. A Pedra Azul, formação rochosa dentro de um parque estadual em Domingos Martins, é um dos pontos mais fotografados do interior capixaba.
Pico da Bandeira e Ecoturismo na Serra
O Pico da Bandeira, dentro do Parque Nacional do Caparaó, atrai montanhistas de todo o país em busca do terceiro ponto mais alto do Brasil, a 2.892 metros de altitude. A trilha de acesso parte do município de Ibitirama, no Espírito Santo, e também pode ser feita pelo lado mineiro do parque, em Alto Caparaó.
Outras unidades de conservação completam o roteiro de ecoturismo capixaba, caso dos parques estaduais de Pedra Azul, em Domingos Martins, e de Forno Grande, em Castelo, ambos com trilhas, cachoeiras e mirantes voltados para o relevo acidentado do interior do Estado.
Praias do Espírito Santo: as Mais Visitadas
O litoral do Estado do Espírito Santo soma cerca de 400 km, entre o norte e o sul do território, com praias de perfis bem diferentes. Guarapari, com quase 50 praias, é conhecida nacionalmente pelas areias monazíticas e funciona como o principal destino turístico do litoral capixaba.
No norte do Estado, as dunas de Itaúnas, em Conceição da Barra, cobriram a antiga vila à beira-mar e hoje formam uma das paisagens mais procuradas por quem busca praias mais preservadas. Em Regência, balneário do município de Linhares, funciona uma base do Projeto Tamar, dedicada à proteção de tartarugas marinhas, com estrutura aberta à visitação.
Na capital, a Praia de Camburi é a mais urbana do Estado, com calçadão e acesso direto ao centro de Vitória, enquanto Vila Velha reúne cerca de 32 km de praias entre a orla urbana e trechos mais tranquilos próximos ao Convento da Penha. Essa diversidade de praias, da faixa urbana à costa preservada do norte, é um dos atrativos que distinguem o litoral capixaba dos vizinhos Bahia e Rio de Janeiro.
Curiosidades sobre o Estado do Espírito Santo?
O Espírito Santo é o único Estado brasileiro cuja capital, Vitória, fica inteiramente numa ilha ligada ao continente por pontes. A cidade também é sede do maior complexo de pelotização de minério de ferro do mundo, operado pela Vale desde a década de 1960.
O apelido Terra dos Beija-Flores vem dos estudos do naturalista Augusto Ruschi, que viveu em Santa Teresa e catalogou espécies de colibris da Mata Atlântica capixaba ainda na primeira metade do século XX. O mesmo município de Santa Teresa é reconhecido por lei federal como a primeira cidade italiana do Brasil, por conta da imigração iniciada em 1874.
Santa Maria de Jetibá, no interior capixaba, é considerado o município mais pomerano do país, com ensino bilíngue português-pomerano nas escolas públicas. Já o Pico da Bandeira, na fronteira com Minas Gerais, é o terceiro ponto mais alto do Brasil, atrás apenas de dois picos da Amazônia.
A bandeira do Espírito Santo é uma das poucas do país a usar a cor rosa, herança do desenho adotado em 1947 que resistiu a tentativas de mudança ao longo das décadas. Essa combinação de recordes geográficos, históricos e culturais dá ao Estado do Espírito Santo uma identidade própria dentro da Região Sudeste do Brasil, mesmo sendo o menor território da região.
Perguntas Frequentes sobre o Estado do Espírito Santo
Qual é a capital do Espírito Santo?
A capital é Vitória, com 322.869 habitantes segundo o Censo 2022 do IBGE. A cidade ocupa uma ilha na baía de Vitória e é sede do governo estadual desde 1549, quando substituiu a primeira vila, fundada em Vila Velha.
Quantos municípios tem o Espírito Santo?
O Espírito Santo tem 78 municípios, distribuídos em quatro regiões de planejamento: Metropolitana, Noroeste, Norte e Sul. A Região Metropolitana da Grande Vitória concentra 49,1% da população estadual, segundo o Censo 2022 do IBGE.
Qual é a população do Espírito Santo?
O Espírito Santo tem 3.833.712 habitantes, segundo o Censo 2022 do IBGE, com estimativa de 4.126.854 pessoas para 2025. A densidade demográfica é de 83,21 habitantes por km², concentrada sobretudo no litoral.
Quais estados fazem fronteira com o Espírito Santo?
O Espírito Santo faz fronteira com a Bahia, ao norte, com Minas Gerais, ao norte e a noroeste, e com o Rio de Janeiro, ao sul. A leste, o Estado é banhado pelo Oceano Atlântico ao longo de cerca de 400 km de litoral.
Qual é a origem do nome Espírito Santo?
O nome vem de 23 de maio de 1535, data em que o donatário Vasco Fernandes Coutinho tomou posse da capitania, num domingo de Pentecostes, conhecido no calendário católico como domingo do Espírito Santo.
O Estado do Espírito Santo reúne, em 46.074,44 km² no leste do Sudeste brasileiro, uma geografia que vai da baixada litorânea ao Pico da Bandeira, terceiro ponto mais alto do país, a 2.892 metros de altitude. Com 3.833.712 habitantes no Censo 2022 do IBGE e um PIB de R$ 209,8 bilhões em 2023, o Estado combina café conilon, petróleo e siderurgia numa das economias mais concentradas do Sudeste, respondendo por 1,9% do PIB nacional.
A história capixaba, iniciada em 1535 com a Capitania doada a Vasco Fernandes Coutinho, somou depois a imigração europeia que formou cidades como Santa Teresa, Venda Nova do Imigrante e Santa Maria de Jetibá. Entre a moqueca feita em panela de barro de Goiabeiras, as praias de Guarapari e Itaúnas e a bandeira rosa adotada em 1947, o Estado do Espírito Santo mantém uma identidade própria dentro da Região Sudeste, mesmo sendo o menor território entre os quatro Estados que a compõem.
Foto de destaque: Diego Flores / Pexels, licença gratuita (Vitória, ES).