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Estado de Rondônia: Geografia, História e Economia

Estado de Rondônia: Geografia, História e Economia

O Estado de Rondônia ocupa 237.753,439 km² no oeste da Região Norte do Brasil, segundo o IBGE (2025). Faz fronteira com o Amazonas ao norte, o Mato Grosso ao leste, a Bolívia ao sul e a oeste, e o Acre também a oeste. A linha de fronteira com a Bolívia soma cerca de 1.342 km, uma das mais extensas entre os Estados brasileiros. A capital é Porto Velho, erguida às margens do Rio Madeira. O Censo 2022 do IBGE contou 1.581.196 habitantes no território rondoniense, com densidade de 6,65 habitantes por km² e estimativa de 1.751.950 pessoas para 2025. O nome do Estado homenageia o Marechal Cândido Rondon, sertanista que explorou a região no início do século XX e instalou as primeiras linhas telegráficas da Amazônia.

A economia rondoniense soma R$ 66,795 bilhões em Produto Interno Bruto, segundo relatório de 2022 da Secretaria de Estado do Planejamento (SEPOG), com base em dados do IBGE. O valor representa 0,7% do PIB nacional e coloca o Estado na 22ª posição entre as unidades da federação, com PIB per capita de R$ 42.248,44. A pecuária é o setor mais visível da paisagem rondoniense: a Agência de Defesa Sanitária Agrosilvopastoril do Estado (Idaron) registra mais de 16 milhões de cabeças de gado, o maior rebanho entre as áreas livres de febre aftosa sem vacinação do Brasil.

A história rondoniense começou como Território Federal do Guaporé, criado em 13 de setembro de 1943 pelo Decreto-Lei nº 5.812, a partir de áreas desmembradas do Amazonas e do Mato Grosso. O território passou a se chamar Rondônia em 17 de fevereiro de 1956, pela Lei nº 2.731, em homenagem ao Marechal Rondon. A elevação a Estado veio depois, pela Lei Complementar nº 41, de 22 de dezembro de 1981, com instalação efetiva em 4 de janeiro de 1982. Antes disso, o ciclo da borracha e a construção da Estrada de Ferro Madeira-Mamoré, entre 1907 e 1912, já haviam atraído milhares de migrantes para as margens do Rio Madeira.

O território rondoniense também reúne atrativos naturais e históricos pouco comuns na Amazônia brasileira. A Serra dos Pacaás Novos abriga o Pico do Tracoá, ponto mais alto do Estado, dentro do Parque Nacional de Pacaás Novos. Na fronteira com a Bolívia, em Costa Marques, o Real Forte Príncipe da Beira, erguido entre 1776 e 1783, é apontado como a maior construção militar portuguesa fora da Europa. Já o fenômeno da friagem, provocado por massas de ar polar que chegam ao sudoeste da Amazônia, faz as temperaturas despencarem em pleno outono e inverno, mesmo num Estado de clima equatorial.

Este guia reúne a localização, a história, a geografia física, o clima, a população, as cidades, a bandeira, a economia, o turismo e as curiosidades do Estado de Rondônia, com dados do IBGE, da Idaron, do governo estadual e do Senado Federal. Cada seção parte de uma pergunta direta sobre o Estado e responde com números atuais, da área territorial às cinco cidades mais populosas.

CaracterísticaDado
RegiãoNorte
CapitalPorto Velho
SiglaRO
Área237.753,439 km² (IBGE, 2025)
População (Censo 2022)1.581.196 habitantes
População estimada (2025)1.751.950 habitantes
PIB (2022)R$ 66,795 bilhões (SEPOG/IBGE)
IDH0,7 (PNUD, 2021)
Municípios52
ClimaEquatorial
GentílicoRondoniense ou rondoniano

Onde fica o Estado de Rondônia?

Rondônia fica no oeste da Região Norte do Brasil, numa faixa de floresta amazônica cortada de norte a sul pela BR-364. Essa rodovia liga Porto Velho a Cuiabá e a São Paulo, e concentra ao longo de seus 1.450 km a maior parte dos municípios e da população estadual. Porto Velho está a cerca de 2.830 km de Brasília e a 3.190 km de São Paulo, ligada às duas cidades por voos diretos e por rodovia.

Essa posição no extremo oeste da Amazônia legal fez do Estado uma área de fronteira em dois sentidos: fronteira internacional com a Bolívia, ao longo de cerca de 1.342 km, e fronteira interna de colonização, aberta a partir da década de 1970 por migrantes do Paraná, de Mato Grosso, de Mato Grosso do Sul, de São Paulo e do Nordeste. Essa migração moldou a ocupação do território ao longo da própria BR-364.

Fronteiras e estados limítrofes

Rondônia faz fronteira com quatro vizinhos. Ao norte, divide limites com o Estado do Amazonas, na altura dos municípios ribeirinhos do Rio Madeira. Ao leste, a fronteira é com o Estado de Mato Grosso, na região da Chapada dos Parecis. A oeste, o limite é com o Estado do Acre, próximo ao Rio Abunã.

Ao sul e a oeste, Rondônia é banhado pela fronteira com a República da Bolívia, ao longo do Rio Guaporé e do Rio Mamoré. Municípios como Guajará-Mirim, Nova Mamoré, Costa Marques e Cabixi ficam diretamente na linha de fronteira, que soma cerca de 1.342 km segundo levantamentos acadêmicos sobre a faixa de fronteira amazônica.

Mapa do Estado de Rondônia

O mapa mostra um território de contorno irregular, recortado pelos rios Madeira, Mamoré e Guaporé. A capital, Porto Velho, ocupa a margem leste do Rio Madeira, no extremo norte do Estado, numa posição distante da maior parte dos demais municípios rondonienses.

No mapa do Brasil, Rondônia aparece como um dos Estados mais isolados por rodovia em relação ao Centro-Sul do país, já que a única ligação asfaltada relevante é a própria BR-364. Essa dependência de uma única rodovia explica por que a maioria dos 52 municípios do Estado se distribui em faixa ao longo dessa via, entre Vilhena, no extremo sul, e Porto Velho, no extremo norte.

Qual é a história do Estado de Rondônia?

A história regional começou com a chegada de padres missionários, nos séculos XVI e XVIII, e com os bandeirantes que, atraídos pelo ouro de Goiás e de Mato Grosso, passaram a explorar o Vale do Rio Guaporé. Como essas terras pertenciam a Espanha pelo Tratado de Tordesilhas, as fronteiras só foram redefinidas entre 1750 e 1777, pelos tratados de Madri e de Santo Ildefonso, que passaram o domínio da região a Portugal. Esse episódio integra a História do Brasil sobre as disputas de fronteira na América portuguesa.

Para defender o novo domínio, militares portugueses ocuparam a margem do Rio Guaporé e fundaram, entre 1776 e 1783, o Real Forte Príncipe da Beira, hoje no município de Costa Marques. Essa fortificação, apontada como a maior construção militar portuguesa erguida fora da Europa, funcionou até 1889, quando foi desativada por medida de economia após a Proclamação da República.

Da colonização ao ciclo da borracha

O grande surto de colonização do território aconteceu no auge do ciclo da borracha, no final do século XIX, quando migrantes nordestinos passaram a ocupar as margens do Rio Madeira em busca de seringais. Esse movimento coincidiu com a ligação telegráfica estabelecida por Cândido Rondon no início do século XX, que conectou a região isolada ao restante do país.

A exportação de borracha também motivou a descoberta de jazidas de cassiterita, mais tarde um dos pilares da economia territorial. A combinação de borracha, cassiterita e castanha-do-pará atraiu, ao longo do século XX, sucessivas ondas de migração para as margens dos rios Madeira, Mamoré e Guaporé.

A Ferrovia Madeira-Mamoré

A Estrada de Ferro Madeira-Mamoré nasceu de uma cláusula do Tratado de Petrópolis, de 1903, firmado entre Brasil e Bolívia. A obra, de 366 km entre Porto Velho e Guajará-Mirim, foi construída entre 1907 e 1912 pela Madeira Mamoré Railway Company, empresa fundada pelo empresário americano Percival Farquhar, e inaugurada em 1º de agosto de 1912.

A ferrovia atraiu trabalhadores bolivianos, espanhóis, gregos e de outras nacionalidades, além de nordestinos, mas prestou poucos serviços comerciais antes de ser desativada em 1972, quando a queda do preço da borracha e a concorrência da futura BR-364 já haviam reduzido sua importância. Hoje, um trecho entre Porto Velho e Santo Antônio funciona apenas para fins turísticos, com locomotivas preservadas e um museu ferroviário na capital.

Marechal Cândido Rondon e a criação do Estado

Em 13 de setembro de 1943, o Decreto-Lei nº 5.812 desmembrou áreas do Amazonas e do Mato Grosso para criar o Território Federal do Guaporé, com sede em Porto Velho, cidade elevada à categoria de município em 1919. O território passou a se chamar Território Federal de Rondônia em 17 de fevereiro de 1956, pela Lei nº 2.731, em homenagem ao Marechal Cândido Rondon, o sertanista que explorara os sertões do Mato Grosso e da Amazônia décadas antes.

A transformação em Estado veio com a Lei Complementar nº 41, de 22 de dezembro de 1981, sancionada ainda sob o regime militar. A instalação efetiva do novo Estado ocorreu em 4 de janeiro de 1982, data em que tomou posse o primeiro governador, Jorge Teixeira de Oliveira. Nas décadas seguintes, os incentivos fiscais do Governo Federal e a abertura da BR-364 multiplicaram quase oito vezes a população rondoniense, impulsionada pela agropecuária e pela extração de madeira.

Como é a geografia física do Estado de Rondônia?

A geografia física do Estado combina planalto e planície, moldados pelas bacias dos rios Madeira, Mamoré e Guaporé. O relevo predomina sobre a planície, que fica restrita às áreas sujeitas a inundação ao longo do curso do Guaporé, enquanto o planalto ocupa a maior parte do território, estreitando-se na direção da fronteira com a Bolívia.

Essa combinação de planalto amazônico e planície fluvial explica por que a maior parte das cidades rondonienses nasceu às margens de rios navegáveis, antes mesmo da abertura das primeiras estradas na segunda metade do século XX.

Rio Madeira ao entardecer, com reflexo do sol na água, em Porto Velho, Rondônia
Crédito: Lucas joahay / Wikimedia Commons, CC BY-SA 4.0 (Rio Madeira, Porto Velho, RO).

Relevo e a Serra dos Pacaás Novos

O ponto culminante do Estado é o Pico do Tracoá, com cerca de 1.126 metros de altitude, segundo o Portal Amazônia. O pico está na Serra dos Pacaás Novos, no extremo noroeste do território, dentro dos limites do Parque Nacional de Pacaás Novos, próximo ao município de Campo Novo de Rondônia.

O restante do relevo rondoniense se divide entre a Chapada dos Parecis, no leste, e áreas de planalto mais baixo no centro do Estado, moldadas ao longo de milhões de anos pela erosão dos rios da bacia do Madeira.

Hidrografia e o Rio Madeira

O Rio Madeira é o principal curso de água do Estado e um dos maiores afluentes do Rio Amazonas. O rio se divide em dois trechos distintos: o Alto Madeira, de cerca de 360 km, com cachoeiras que historicamente dificultaram a navegação, e o Baixo Madeira, de cerca de 1.340 km, navegável durante todo o ano entre Porto Velho e o Amazonas.

Ao longo da última década, as usinas hidrelétricas de Santo Antônio e de Jirau, construídas no trecho rondoniense do Rio Madeira entre o início e a metade dos anos 2010, passaram a somar uma capacidade combinada de cerca de 6.450 megawatts, tornando o rio também uma importante fonte de energia para o Estado. Outros rios relevantes são o Mamoré e o Guaporé, que dividem a fronteira com a Bolívia, e o Ji-Paraná, o Jamari e o Abunã, que cortam o interior do território.

Vegetação e cobertura florestal

A vegetação predominante no Estado é a Floresta Amazônica, que cobre a maior parte do território, com áreas de cerrado concentradas no oeste e no sudoeste, perto da fronteira com a Bolívia. A Floresta Nacional do Jamari e o Parque Nacional de Pacaás Novos preservam alguns dos trechos mais conservados dessa cobertura vegetal.

A expansão da pecuária e da agricultura ao longo da BR-364 reduziu parte da cobertura florestal original nas últimas décadas, um processo acompanhado por imagens de satélite do próprio Governo Federal. Mesmo assim, a Floresta Amazônica ainda ocupa a maior parte da superfície rondoniense, sobretudo no norte e no noroeste do Estado.

Qual é o clima do Estado de Rondônia?

O clima predominante no Estado é o equatorial, com temperatura média elevada ao longo de todo o ano e estação seca pouco marcada. O período de estio vai de maio a setembro, enquanto o período de chuvas se concentra entre outubro e abril, com os meses de dezembro a maio registrando a maior umidade.

Mesmo com esse clima quente durante a maior parte do ano, o Estado está sujeito a quedas bruscas de temperatura no outono e no inverno, quando massas de ar frio avançam vindas do sul do continente. Essa característica torna o clima rondoniense menos uniforme do que o de outros Estados da Amazônia Legal.

O fenômeno da friagem

A friagem é a queda de temperatura provocada pela chegada de ar polar ao sudoeste da Amazônia, incluindo o Acre, Rondônia e o sul do Amazonas, segundo caracterização da Climatempo. O fenômeno ocorre quando uma frente fria do Centro-Sul do Brasil empurra uma massa de ar vinda da Antártica para o norte da Bolívia e para essa região do país, fazendo os ventos passarem a soprar do sul.

Durante uma friagem, as madrugadas e as manhãs ficam bem mais frias, enquanto as tardes costumam voltar a esquentar, o que aumenta a amplitude térmica do dia. O fenômeno é mais comum no outono e no inverno, e já levou cidades rondonienses a registrar mínimas abaixo dos 16°C, uma diferença expressiva diante da média anual do Estado.

Qual é a população do Estado de Rondônia?

A população rondoniense é de 1.581.196 habitantes, segundo o Censo 2022 do IBGE, com densidade demográfica de 6,65 habitantes por km². A estimativa para 2025 é de 1.751.950 pessoas, um crescimento moderado diante do registrado entre os censos de 2010 e 2022, apontado por analistas como um dos mais baixos da Região Norte.

Essa população resulta de décadas de migração interna. Colonos vindos do Paraná, de Mato Grosso, de Mato Grosso do Sul, de São Paulo e do Nordeste ocuparam o território a partir da década de 1970, atraídos por incentivos fiscais e pela abertura da BR-364. Essa chegada constante de migrantes também gerou conflitos por terra entre colonos, posseiros e povos indígenas ao longo da história recente do Estado.

Densidade demográfica e distribuição

A maior parte da população rondoniense se concentra ao longo da BR-364, entre Porto Velho e Vilhena, onde ficam as cidades mais populosas do Estado. O interior mais afastado da rodovia, sobretudo nas áreas de fronteira com a Bolívia, tem densidade demográfica bem mais baixa.

O Estado também reúne terras indígenas demarcadas em municípios como Guajará-Mirim, Ariquemes, Cacoal e Ji-Paraná, com etnias que remontam à ocupação pré-colonial da bacia do Madeira. Essa presença indígena segue registrada em estudos do próprio IBGE sobre a diversidade étnica da Região Norte.

Quais são as cidades do Estado de Rondônia?

O Estado de Rondônia tem 52 municípios, a maioria distribuída ao longo da BR-364, a rodovia que funciona como espinha dorsal do território. Poucos municípios ficam fora dessa faixa, concentrados principalmente às margens dos rios Madeira, Mamoré e Guaporé.

Essa distribuição reflete a própria história de ocupação do Estado: os municípios ribeirinhos, mais antigos, nasceram do ciclo da borracha e da Ferrovia Madeira-Mamoré, enquanto a maioria das cidades ao longo da BR-364 surgiu a partir dos projetos de colonização das décadas de 1970 e 1980.

Porto Velho, a capital do Estado de Rondônia

Porto Velho é a capital, com 460.434 habitantes no Censo 2022 do IBGE. A cidade nasceu do canteiro de obras da Estrada de Ferro Madeira-Mamoré, por volta de 1907, e foi elevada à categoria de município em 1919, às margens do Rio Madeira.

Com 34.090,952 km² de área territorial, Porto Velho é a capital estadual de maior extensão territorial do Brasil, maior até do que vários Estados da federação. Hoje a cidade funciona como centro administrativo, portuário e comercial do Estado, concentrando boa parte da indústria madeireira e dos serviços rondonienses.

Maiores cidades do Estado de Rondônia por população

MunicípioPopulação (Censo 2022)
Porto Velho (capital)460.434
Ji-Paraná124.333
Ariquemes96.833
Vilhena95.832
Cacoal86.887

Ji-Paraná, a segunda cidade mais populosa, fica no centro-sul do Estado, numa região de colonização agrícola. Ariquemes e Vilhena, por sua vez, funcionam como polos regionais de serviços ao longo da BR-364, enquanto Cacoal concentra parte da produção de café e de grãos do sul rondoniense.

Qual é a bandeira e os símbolos do Estado de Rondônia?

A bandeira rondoniense tem as cores verde, amarelo, azul e branco, numa combinação que remete às cores da bandeira nacional. Segundo registros do Portal Amazônia, o desenho foi adotado em 31 de dezembro de 1981, um dia antes da instalação oficial do Estado, e é atribuído ao estudante de arquitetura Sílvio Carvajal Feitosa, vencedor de um concurso público para escolher o símbolo.

A faixa verde do desenho é associada tanto à Floresta Amazônica quanto à BR-364 e ao Rio Madeira, as duas principais vias de acesso ao território rondoniense, enquanto a estrela amarela remete à esperança de desenvolvimento que marcou a criação do Estado. O artigo sobre Bandeiras dos Estados do Brasil reúne a origem e o simbolismo de cada uma das 27 bandeiras estaduais, incluindo os casos em que o desenho resultou de concursos públicos como o de Rondônia.

Qual é a economia do Estado de Rondônia?

A economia do Estado de Rondônia somou R$ 66,795 bilhões em PIB em 2022, segundo relatório da Secretaria de Estado do Planejamento (SEPOG) baseado em dados do IBGE, um crescimento nominal de 14,83% sobre 2021. O desempenho rondoniense se soma ao conjunto da Economia do Brasil, que reúne as 27 unidades da federação.

O Estado respondeu por 0,7% do PIB nacional em 2022, ocupando a 22ª posição entre as unidades da federação, com PIB per capita de R$ 42.248,44. A distribuição setorial do PIB rondoniense mostra os serviços na liderança, com 63,1% do valor adicionado, seguidos pela agropecuária, com 19,2%, e pela indústria, com 17,7%.

Principais atividades econômicas

A pecuária é a atividade mais visível da economia rondoniense. A Idaron, agência estadual de defesa sanitária, registra mais de 16 milhões de cabeças de gado no Estado, o maior rebanho entre as áreas livres de febre aftosa sem vacinação do Brasil, concentrado em municípios como Porto Velho, Nova Mamoré e Buritis.

Na agricultura, destacam-se a soja, o café, o milho, o arroz e o cacau, cultivados sobretudo ao longo da BR-364. A indústria madeireira se desenvolveu em função da abertura dessa mesma rodovia, enquanto o extrativismo mineral, que incluiu historicamente a exploração de cassiterita, perdeu peso diante da pecuária e da agricultura modernas.

O que fazer de turismo no Estado de Rondônia?

O turismo rondoniense se divide entre o ecoturismo, ligado à Floresta Amazônica e aos rios da bacia do Madeira, e o turismo histórico-cultural, ligado ao ciclo da borracha e à colonização portuguesa na fronteira com a Bolívia. Porto Velho concentra a maior infraestrutura turística do Estado, com hotéis, restaurantes e acesso aos principais roteiros.

Rio na Floresta Amazônica, no município de Espigão do Oeste, Rondônia
Crédito: Christopher Krause / Wikimedia Commons, domínio público (Espigão do Oeste, RO).

Pontos turísticos naturais

O Parque Nacional de Pacaás Novos, no noroeste do Estado, preserva a Serra dos Pacaás Novos e o Pico do Tracoá, ponto mais alto do território rondoniense. A Floresta Nacional do Jamari, mais próxima de Porto Velho, oferece trilhas e rios navegáveis dentro de uma das áreas mais conservadas da Amazônia rondoniense.

Ao longo dos rios Madeira, Mamoré e Guaporé, praias fluviais e balneários atraem visitantes sobretudo no período de seca, entre maio e setembro, quando o nível dos rios baixa e expõe faixas de areia nas margens.

Turismo cultural e histórico

O Real Forte Príncipe da Beira, em Costa Marques, é o principal destino histórico do Estado. Erguido entre 1776 e 1783 na margem do Rio Guaporé, o forte tem visitação gratuita e recebe cerca de 500 visitantes por mês, segundo reportagens recentes sobre o local, mesmo com parte das ruínas em processo de restauração pelo Iphan.

Em Porto Velho, o trecho turístico da Estrada de Ferro Madeira-Mamoré preserva locomotivas e vagões do início do século XX, além de um museu ferroviário dedicado à história da construção. Guajará-Mirim, na fronteira com a Bolívia, soma o próprio patrimônio ferroviário ao ecoturismo ao longo do Rio Mamoré.

Quais são as curiosidades sobre o Estado de Rondônia?

Porto Velho é a capital estadual de maior extensão territorial do Brasil, com 34.090,952 km², uma área maior do que a de vários Estados brasileiros inteiros. A cidade nasceu do canteiro de obras da Estrada de Ferro Madeira-Mamoré, erguida entre 1907 e 1912 para escoar a produção de borracha da região.

O nome do Estado é uma homenagem ao Marechal Cândido Rondon, adotado em 1956 para substituir o antigo Território Federal do Guaporé. Rondon também é lembrado pela Comissão que levou as primeiras linhas telegráficas ao interior da Amazônia, décadas antes de o território se tornar Estado.

O Real Forte Príncipe da Beira, na fronteira com a Bolívia, é apontado como a maior construção militar portuguesa erguida fora da Europa, com muralhas de cerca de 7 metros de altura e quatro baluartes voltados para o Rio Guaporé. Já a friagem, fenômeno que faz a temperatura cair bruscamente mesmo num Estado de clima equatorial, é uma das particularidades climáticas mais conhecidas da Amazônia ocidental.

A culinária rondoniense tem base nos peixes do Rio Madeira e nos frutos da floresta, com forte influência indígena no preparo e nos ingredientes, uma característica que aproxima o Estado de outras tradições regionais reunidas no artigo sobre Culinária do Brasil.

Perguntas Frequentes sobre o Estado de Rondônia

Qual é a capital do Estado de Rondônia?

A capital é Porto Velho, com 460.434 habitantes segundo o Censo 2022 do IBGE. A cidade fica às margens do Rio Madeira e é a capital estadual de maior extensão territorial do Brasil, com 34.090,952 km².

Quantos municípios tem o Estado de Rondônia?

O Estado de Rondônia tem 52 municípios, a maioria distribuída ao longo da BR-364, rodovia que liga Vilhena, no extremo sul, a Porto Velho, no extremo norte do território.

Por que Rondônia tem esse nome?

O nome homenageia o Marechal Cândido Rondon, sertanista que explorou a Amazônia no início do século XX. O antigo Território Federal do Guaporé passou a se chamar Rondônia em 17 de fevereiro de 1956, pela Lei nº 2.731.

O que é o fenômeno da friagem em Rondônia?

A friagem é a queda brusca de temperatura causada pela chegada de ar polar ao sudoeste da Amazônia. O fenômeno ocorre no outono e no inverno, quando uma frente fria do Centro-Sul empurra ar frio para Rondônia e para Estados vizinhos.

Rondônia faz fronteira com qual país?

Rondônia faz fronteira com a Bolívia, ao sul e a oeste do Estado, ao longo de cerca de 1.342 km, principalmente pelos rios Guaporé e Mamoré. Municípios como Guajará-Mirim e Costa Marques ficam diretamente na linha de fronteira.

Quantos habitantes tem o Estado de Rondônia?

O Estado de Rondônia tem 1.581.196 habitantes, segundo o Censo 2022 do IBGE, com estimativa de 1.751.950 pessoas para 2025. A densidade demográfica é de 6,65 habitantes por km².


O Estado de Rondônia reúne, em 237.753,439 km² no oeste da Região Norte, uma geografia marcada pelo Rio Madeira, pela Serra dos Pacaás Novos e pela Floresta Amazônica, que ainda cobre a maior parte do território. Com 1.581.196 habitantes no Censo 2022 do IBGE e um PIB de R$ 66,795 bilhões em 2022, o Estado combina pecuária, agricultura e serviços numa economia que responde por 0,7% do produto nacional, apoiada no maior rebanho bovino livre de febre aftosa sem vacinação do Brasil.

A história rondoniense, iniciada como Território Federal do Guaporé em 1943 e batizada em homenagem ao Marechal Cândido Rondon em 1956, somou depois o ciclo da borracha, a Estrada de Ferro Madeira-Mamoré e a colonização que, a partir da década de 1970, multiplicou a população do Estado. Entre o Real Forte Príncipe da Beira, na fronteira com a Bolívia, e o fenômeno da friagem, que leva frio a um Estado de clima equatorial, Rondônia se tornou Estado em 1981, instalado oficialmente em 4 de janeiro de 1982, e mantém hoje uma identidade própria dentro da Região Norte do Brasil.

Foto de destaque: Christopher Krause / Wikimedia Commons, CC BY-SA 3.0 (Porto Velho, RO).

Sobre o autor

Marta F.

Marta F. é tecnóloga em Processamento de Dados e criou o Brasil Channel em 2000. Em pouco mais de um ano no ar, já passava de 90 mil visitas. Em mais de duas décadas, reuniu milhares de páginas sobre geografia, história e cultura dos estados, capitais e municípios do Brasil — hoje em reformulação completa. Artigos do site são citados pela Wikipédia, por prefeituras e por universidades como fonte de pesquisa.