Estado de Roraima: Geografia, História, População e Cidades

O Estado de Roraima ocupa 224.300,506 km² no extremo norte da Região Norte do Brasil, segundo o IBGE, e é o 14º maior Estado do país em área territorial. Faz fronteira com a Venezuela ao norte e ao noroeste, com a Guiana ao leste, com o Pará ao sudeste e com o Amazonas ao sul e a oeste. A capital é Boa Vista, a única capital brasileira situada inteiramente no Hemisfério Norte. O Censo 2022 do IBGE contou 636.707 habitantes no território roraimense, o Estado menos populoso do Brasil, com densidade de 2,85 habitantes por km², a segunda menor densidade do país, atrás apenas do Amazonas. A estimativa do IBGE para 1º de julho de 2026 é de 761.012 habitantes.
Quase metade do território roraimense é terra indígena: cerca de 104.018 km², ou 46,37% da área do Estado, estão dentro das Terras Indígenas Yanomami e Raposa Serra do Sol, as duas maiores do país. Outros 18.879 km², 8,42% do território, são unidades de conservação ambiental sob gestão do ICMBio, entre elas o Parque Nacional do Monte Roraima, o Parque Nacional do Viruá e a Estação Ecológica de Maracá. Essa combinação faz de Roraima um dos Estados brasileiros com maior proporção de área protegida.
A economia roraimense somou R$ 21,1 bilhões em Produto Interno Bruto em 2022, segundo o IBGE, o menor valor entre todas as unidades da federação e apenas 0,2% do PIB nacional. O PIB per capita é de R$ 27.887,57, a 16ª posição do país. O setor de serviços, liderado pela administração pública, responde por cerca de 35% do PIB estadual. O Índice de Desenvolvimento Humano Municipal do Estado é de 0,780, segundo o Radar IDHM/PNUD de 2024, classificação “alto” e 14º lugar entre os Estados brasileiros.
A história roraimense remonta à disputa do Vale do Rio Branco entre portugueses, ingleses, holandeses e espanhóis, nos séculos XVII e XVIII, e passa pela criação do Território Federal do Rio Branco, em 1943, até a elevação à condição de Estado pela Constituição de 1988. Este guia reúne a localização, a geografia física, o clima, o mapa, a população, as cidades, a bandeira, a história, a economia, o turismo e as curiosidades do Estado de Roraima, com dados do IBGE, do PNUD e de órgãos estaduais.
| Característica | Dado |
|---|---|
| Capital | Boa Vista |
| Área | 224.300,506 km² (IBGE) |
| População | 636.707 habitantes (Censo 2022, IBGE) |
| Densidade | 2,85 hab/km² (Censo 2022, IBGE) |
| Municípios | 15 |
| Fuso Horário | UTC-4 |
| Clima Predominante | Equatorial (Af) e Tropical de Monção (Am) |
| Sigla | RR |
| Região | Norte |
| Países de Fronteira | Venezuela e Guiana |
Onde fica o Estado de Roraima?
O Estado de Roraima fica no extremo norte da Região Norte do Brasil, na fronteira do país com a Venezuela e a Guiana. É o único Estado brasileiro cuja capital, Boa Vista, está totalmente dentro do Hemisfério Norte, a cerca de 4,5 km da Linha do Equador. O ponto mais setentrional de todo o território brasileiro também fica em Roraima: o Monte Caburaí, no município de Uiramutã, onde nasce o Rio Ailã.
Essa posição extrema faz de Roraima uma área de dupla fronteira, internacional e continental. O Estado liga o Brasil à Venezuela pela BR-174, que segue até a fronteira em Pacaraima, e à Guiana pela BR-401, que chega a Bonfim. As duas rodovias fazem de Roraima a principal porta de entrada terrestre do país para o norte da América do Sul.
Fronteiras com Venezuela e Guiana
Roraima faz fronteira com a Venezuela ao norte e ao noroeste, numa linha que corta a Serra de Pacaraima, e com a Guiana ao leste, ao longo dos rios Tacutu e Maú. O município de Pacaraima concentra a passagem com a Venezuela, enquanto Bonfim é o principal ponto de travessia para a Guiana, ligado à cidade guianense de Lethem por uma ponte sobre o Rio Tacutu.
O Monte Roraima, com 2.875 metros de altitude, marca o ponto de encontro das três fronteiras, Brasil, Venezuela e Guiana, na Serra Pacaraima. É o ponto culminante do Estado e um dos poucos lugares do mundo onde um único marco de pedra separa três países.
Localização na Região Norte do Brasil
Dentro da Região Norte, Roraima faz fronteira apenas com dois Estados brasileiros: o Pará, ao sudeste, e o Amazonas, ao sul e a oeste. Essa combinação de poucas fronteiras internas e duas fronteiras internacionais extensas torna Roraima um território relativamente isolado do resto do Brasil por via terrestre, já que o acesso rodoviário a outros Estados passa obrigatoriamente pelo Amazonas, pela BR-174, entre Boa Vista e Manaus.
Essa posição também aproxima Roraima de áreas pouco povoadas dos dois vizinhos brasileiros, já que tanto o norte do Pará quanto o norte do Amazonas mantêm grandes extensões de floresta amazônica e de terras indígenas, num padrão de ocupação semelhante ao do próprio território roraimense.
Geografia Física de Roraima
A geografia física do Estado de Roraima combina relevo plano a levemente ondulado no centro e no leste com serras elevadas nas fronteiras internacionais. O território se divide entre floresta amazônica densa, ao sul e a oeste, e savana, conhecida localmente como lavrado, no centro-leste, uma combinação de paisagens pouco comum entre os Estados amazônicos.
Essa combinação de dois biomas tão distintos dentro de um mesmo Estado é rara na Amazônia brasileira, onde a floresta tropical costuma predominar quase sem interrupção. É essa divisão entre floresta e savana que organiza as próximas seções, do relevo à hidrografia.

Relevo de Roraima
O relevo roraimense é predominantemente plano ou levemente ondulado na porção central, onde se concentra a maior parte dos municípios e da população. Nas fronteiras internacionais, ao norte e ao noroeste, erguem-se a Serra de Pacaraima e a Serra Parima, que marcam a transição para o planalto das Guianas e abrigam os pontos mais altos do Estado.
Essa diferença de relevo molda a ocupação do território: enquanto o centro, mais plano, favoreceu a pecuária e a agricultura, as serras de fronteira permanecem cobertas por floresta e abrigam a maior parte das terras indígenas Yanomami.
Vegetação e Lavrado (Savana)
O lavrado é a savana roraimense, uma formação de campos gerais com gramíneas, buritizais e espécies como o caimbé e o muricizeiro, concentrada no centro-leste do Estado, ao redor de Boa Vista. É um tipo de vegetação raro na Amazônia, onde a floresta tropical costuma predominar quase sem interrupção. O artigo sobre o Relevo do Brasil detalha como essa formação se encaixa no conjunto de paisagens do território nacional.
Ao sul e a oeste do lavrado, a vegetação volta a ser de floresta amazônica densa, que cobre a maior parte da área indígena Yanomami e segue até a fronteira com o Amazonas.
Hidrografia de Roraima
A bacia do Rio Branco é a principal do Estado e cobre a maior parte do território roraimense. O Rio Branco nasce do encontro dos rios Uraricoera e Tacutu e é o maior afluente do Rio Negro, que por sua vez desemboca no Rio Amazonas. Outros rios importantes são o Mucajaí, o Cauamé e o Surumu, que cortam o interior do Estado e abastecem boa parte dos municípios.
O Rio Branco atravessa Boa Vista e historicamente funcionou como a principal via de transporte entre a capital e o interior, antes da abertura das rodovias que hoje ligam o Estado ao restante do país.
Monte Roraima e Outros Pontos Elevados
O Monte Roraima, na Serra Pacaraima, é o ponto mais alto do Estado, com 2.875 metros de altitude, no encontro das fronteiras entre Brasil, Venezuela e Guiana. É um tepui, formação rochosa de topo plano típica do planalto das Guianas, com paredões que chegam a centenas de metros de altura.
Além do Monte Roraima, a Serra Parima, no limite com a Venezuela, e a Serra do Tepequém, no interior do Estado, completam o conjunto de elevações que marcam a paisagem roraimense fora da área de savana.
Clima de Roraima
O clima predominante no Estado de Roraima é o equatorial quente e úmido, classificado como Af, que domina o sul e o oeste do território, nas áreas de floresta amazônica. Ao norte e ao leste, na região do lavrado, o clima é tropical de monção, classificado como Am, com uma estação seca mais definida do que a do restante da Amazônia brasileira.
Essa diferença climática está diretamente ligada à distribuição da vegetação: a estação seca mais marcada no lavrado favorece a savana, enquanto a umidade constante do clima equatorial, ao sul, sustenta a floresta densa. O artigo sobre o Clima do Brasil situa essas duas classificações roraimenses dentro do conjunto climático do país.
Nas áreas mais elevadas, próximas à fronteira com a Venezuela, como a Serra Pacaraima e o Monte Roraima, as temperaturas são mais amenas do que as registradas na planície, por efeito da altitude. Na região do Monte Roraima, a temperatura média anual fica entre 20°C e 22°C, com estação seca concentrada entre dezembro e março.
Mapa de Roraima
O mapa do Estado de Roraima mostra um território recortado por savana no centro-leste e floresta amazônica no restante, com a capital, Boa Vista, situada à margem do Rio Branco, numa posição relativamente central. A malha rodoviária se concentra em duas vias principais: a BR-174, que liga Boa Vista a Manaus, no Amazonas, e à fronteira com a Venezuela, em Pacaraima; e a BR-401, que leva de Boa Vista a Bonfim, na fronteira com a Guiana.
O contorno do território se estreita nas serras da fronteira com a Venezuela, ao norte e ao noroeste, e se abre em direção ao Pará e ao Amazonas, ao sul, onde a floresta amazônica volta a predominar sobre a paisagem de savana do centro do Estado.
Localização Geográfica no Mapa
No mapa do Brasil, Roraima aparece no canto superior esquerdo da Região Norte, fazendo fronteira com dois países e apenas dois Estados brasileiros. Essa posição extrema concentra praticamente todo o acesso terrestre do Estado ao restante do país na BR-174, via Manaus, no Estado do Amazonas.
A leste, ainda que sem fronteira direta extensa com Roraima, o Estado do Pará completa o quadro dos vizinhos brasileiros da Região Norte, numa área de transição entre o planalto das Guianas e a bacia amazônica.
Divisão Territorial e Municípios
O Estado de Roraima é dividido em 15 municípios. A maior parte da população se concentra em Boa Vista e no eixo da BR-174, enquanto municípios como Uiramutã e Normandia, mais próximos das fronteiras internacionais, têm presença indígena mais expressiva e densidade populacional mais baixa.
Esse número de municípios, um dos menores entre os Estados brasileiros, está diretamente ligado à extensão das Terras Indígenas Yanomami e Raposa Serra do Sol, que juntas ocupam 46,37% do território estadual e não são subdivididas em novos municípios.
População de Roraima
A população do Estado de Roraima é de 636.707 habitantes, segundo o Censo 2022 do IBGE, o menor contingente entre todos os Estados brasileiros. A estimativa do IBGE para 1º de julho de 2026 é de 761.012 habitantes, o que indica crescimento populacional acima da média nacional nos últimos anos.
Segundo o Censo 2022, a composição étnica do Estado é de 57,3% de pardos, 20,7% de brancos, 14,1% de indígenas, 7,7% de pretos e 0,2% de amarelos. Roraima tem a maior proporção de população indígena entre todos os Estados da Região Norte, reflexo da presença das Terras Indígenas Yanomami e Raposa Serra do Sol, que juntas ocupam 46,37% do território estadual.
Densidade Demográfica
A densidade demográfica de Roraima é de 2,85 habitantes por km², segundo o Censo 2022 do IBGE, a segunda menor densidade entre os Estados brasileiros, atrás apenas do Amazonas. Essa baixa densidade está ligada tanto à extensão das terras indígenas e das unidades de conservação quanto à concentração da população num eixo relativamente estreito ao longo da BR-174.
Somadas, as Terras Indígenas Yanomami e Raposa Serra do Sol e as unidades de conservação do ICMBio cobrem mais da metade do território roraimense, uma área onde a ocupação urbana convencional não avança, o que ajuda a explicar por que a densidade do Estado fica tão abaixo da média nacional.
Povos Indígenas e os Yanomami
Os Yanomami formam um dos povos indígenas mais numerosos do Estado, com território que se estende pela fronteira com a Venezuela, na Terra Indígena Yanomami, a maior do Brasil. Outros povos presentes no território roraimense incluem os Macuxi, os Wapixana, os Taurepang e os Ingarikó, concentrados principalmente na Terra Indígena Raposa Serra do Sol, no nordeste do Estado.
O Dia do Mestiço, celebrado oficialmente em 27 de junho, é uma data própria do Estado de Roraima que reconhece a miscigenação entre povos indígenas e demais grupos que formaram a população roraimense.
Cidades de Roraima
O Estado de Roraima tem 15 municípios, a maioria concentrada ao longo da BR-174, entre Boa Vista e a fronteira com a Venezuela, e da BR-401, no sentido da fronteira com a Guiana. Segundo estimativa do IBGE para 1º de julho de 2026, publicada no Diário Oficial da União de 28 de agosto de 2026, a capital responde pela grande maioria da população estadual.
Essa concentração ao longo de duas rodovias principais repete, na escala municipal, o mesmo padrão observado na distribuição da população do Estado: cidades maiores nos eixos de acesso rodoviário e municípios menores nas áreas mais próximas das terras indígenas e das fronteiras internacionais.
Boa Vista, a Capital de Roraima
Boa Vista é a capital do Estado de Roraima, com 500.965 habitantes segundo a estimativa do IBGE para 2026, a única capital brasileira situada inteiramente no Hemisfério Norte. A cidade fica às margens do Rio Branco e concentra a maior parte dos serviços públicos, do comércio e da infraestrutura hoteleira do Estado.
É também em Boa Vista que fica o Palácio Senador Hélio Campos, sede do governo estadual desde 1991, o que reforça o papel da capital como centro administrativo de todo o Estado de Roraima.
Outras Cidades Importantes
Depois da capital, as cidades mais populosas do Estado, segundo a estimativa do IBGE para 2026, são Rorainópolis, com 38.840 habitantes; Alto Alegre, com 24.135 habitantes; Pacaraima, com 24.132 habitantes, na fronteira com a Venezuela; Caracaraí, com 23.061 habitantes; Cantá, com 21.659 habitantes; e Mucajaí, com 20.398 habitantes. O menor município do Estado é São Luiz do Anauá, com 7.920 habitantes.
Pacaraima e Caracaraí têm papel estratégico além da população: a primeira concentra a passagem rodoviária com a Venezuela, pela BR-174, enquanto a segunda fica no trajeto da mesma rodovia entre Boa Vista e o Amazonas, próxima ao Parque Nacional do Viruá.
Bandeira de Roraima
A bandeira do Estado de Roraima tem três faixas diagonais nas cores azul turquesa, branca e verde-bandeira, cruzadas por uma faixa vermelha estreita na parte inferior e por uma estrela dourada no centro do desenho. A combinação de cores remete tanto à paisagem roraimense quanto aos símbolos da bandeira nacional.
Como símbolo oficial do Estado, a bandeira é hasteada ao lado da bandeira nacional em prédios públicos de Roraima, incluindo o Palácio Senador Hélio Campos, sede do governo estadual em Boa Vista, desde a oficialização pela Lei estadual nº 133, de 14 de junho de 1996.
Significado das Cores e Símbolos
O verde representa as matas e os cerrados do Estado, incluindo a floresta amazônica e o lavrado. O branco simboliza a paz, e o azul remete ao céu roraimense. A faixa vermelha estreita, na parte inferior do desenho, representa a Linha do Equador, reforçando a posição do Estado no Hemisfério Norte. A estrela dourada no centro representa Wezen, estrela da constelação do Cão Maior que também simboliza Roraima na bandeira nacional, e o amarelo da estrela remete à riqueza mineral do território.
Origem e Adoção da Bandeira (Lei nº 133/1996)
A bandeira foi adotada pela Lei estadual nº 133, de 14 de junho de 1996, que dispõe sobre os símbolos do Estado de Roraima, e foi projetada por Mário Barreto. O artigo sobre as Bandeiras dos Estados do Brasil reúne a origem e o simbolismo de cada uma das 27 bandeiras estaduais, incluindo os casos em que o desenho resultou de leis específicas como a de Roraima.
História de Roraima
A história do Estado de Roraima está ligada à disputa pelo Vale do Rio Branco entre potências europeias, à presença indígena anterior à colonização e, já no século XX, à criação de um território federal que levaria décadas para se tornar Estado. O artigo sobre a História do Brasil situa esses episódios dentro do processo mais amplo de ocupação da Amazônia brasileira.
Essa trajetória se divide em três momentos principais: o povoamento indígena e a colonização portuguesa, a criação do território federal em 1943 e, por fim, a elevação à condição de Estado pela Constituição de 1988, detalhados nas seções a seguir.
Povoamento e Colonização
Antes da chegada dos colonizadores, o território hoje roraimense era habitado por povos indígenas como os Macuxi, os Wapixana, os Taurepang, os Ingarikó e os Yanomami. Nos séculos XVII e XVIII, portugueses, ingleses, holandeses e espanhóis disputaram o Vale do Rio Branco, uma área estratégica de acesso ao interior da Amazônia. Para garantir a soberania portuguesa sobre a região, foi construído em 1775 o Forte São Joaquim, na confluência dos rios Uraricoera e Tacutu.
Boa Vista foi fundada como município em 1890, quando tinha pouco mais de 1.000 habitantes, um povoado modesto às margens do Rio Branco que décadas depois se tornaria a capital do Estado.
Criação do Estado em 1988
O Território Federal do Rio Branco foi criado em 13 de setembro de 1943. No início da década de 1960, o território foi renomeado Território Federal de Roraima, para evitar a confusão com o nome do território e da capital do Acre, que também usava a denominação Rio Branco. A elevação à condição de Estado veio com a Constituição Federal promulgada em 5 de outubro de 1988, que transformou os antigos territórios federais de Roraima e do Amapá em Estados da federação.
Organização Político-Administrativa
O Poder Executivo do Estado de Roraima é exercido por um governador eleito por voto direto, com mandato de quatro anos e direito a uma reeleição, com sede no Palácio Senador Hélio Campos, em Boa Vista, desde 1991. O Poder Legislativo é unicameral, exercido pela Assembleia Legislativa, com 24 deputados estaduais. No Congresso Nacional, o Estado é representado por 8 deputados federais e 3 senadores.
Economia de Roraima
A economia do Estado de Roraima somou R$ 21,1 bilhões em PIB em 2022, segundo o IBGE, o menor valor entre todos os Estados brasileiros e equivalente a 0,2% do PIB nacional. O PIB per capita é de R$ 27.887,57, a 16ª posição do país. O desempenho roraimense integra o conjunto da Economia do Brasil, que reúne as 27 unidades da federação.
Esse PIB reduzido também reflete a baixa densidade populacional do Estado e a extensão das terras indígenas e das unidades de conservação, que limitam a expansão de atividades econômicas tradicionais como a agropecuária em larga escala.
Principais Atividades Econômicas
O setor de serviços é o principal da economia roraimense, respondendo por cerca de 35% do PIB estadual, impulsionado sobretudo pela administração pública. O setor secundário, que inclui construção civil, serviços de utilidade pública e indústria madeireira, responde por 8,43% do PIB. A agropecuária soma 6,79% do PIB estadual.
Agropecuária e Comércio Fronteiriço
Na agropecuária, destacam-se o cultivo de arroz, soja, feijão, mandioca, milho, banana e café, além da cana-de-açúcar e de uma pecuária bovina relevante para a economia do interior. O comércio fronteiriço com a Venezuela, historicamente concentrado em Pacaraima, e com a Guiana, em Bonfim, também tem peso na economia roraimense, embora sujeito às oscilações políticas e econômicas dos países vizinhos.
Infraestrutura e Logística Fronteiriça
A BR-174 liga Manaus, no Amazonas, a Boa Vista e à fronteira com a Venezuela, sendo a principal via de acesso terrestre do Estado ao restante do Brasil. A BR-401 liga Boa Vista a Normandia e a Bonfim, na fronteira com a Guiana. Roraima é o único Estado brasileiro fora do Sistema Interligado Nacional de energia elétrica, dependendo de termoelétricas e de geração local para abastecer seu território.
Turismo em Roraima
O turismo no Estado de Roraima se divide entre o ecoturismo ligado ao Monte Roraima e aos atrativos naturais do lavrado, e o turismo cultural, ligado às manifestações indígenas e às festas tradicionais do interior. Boa Vista concentra a maior parte da infraestrutura hoteleira e de acesso ao restante do Estado.
Essa divisão entre ecoturismo e turismo cultural segue a própria geografia roraimense: os atrativos naturais se concentram nas serras de fronteira e no lavrado, enquanto as manifestações culturais aparecem com mais força nas comunidades indígenas do nordeste do Estado e no entorno da capital.

Monte Roraima e Ecoturismo
O Monte Roraima, dentro do Parque Nacional do Monte Roraima, criado em 28 de junho de 1989, é o principal atrativo de ecoturismo do Estado. O tepui, com 2.875 metros de altitude, no encontro das fronteiras entre Brasil, Venezuela e Guiana, atrai visitantes interessados em trilhas de longa duração e na paisagem única da região.
Outro destino de ecoturismo é o Parque Nacional do Viruá, no município de Caracaraí, que preserva uma área de transição entre floresta amazônica e savana, com trilhas e cursos de água pouco explorados pelo turismo de massa.
Atrativos Naturais do Lavrado
A Pedra Pintada, a cerca de 140 km de Boa Vista, reúne um conjunto arqueológico e paleontológico com pinturas rupestres, um dos registros mais antigos de ocupação humana no Estado. A paisagem aberta do lavrado, com seus campos de gramíneas e buritizais, também atrai visitantes interessados em observação de aves e na paisagem de savana, rara dentro da Amazônia.
Festas e Manifestações Culturais
Entre as manifestações culturais do Estado estão o Arraial Macuxi, que reúne tradições dos povos indígenas do nordeste roraimense, e festejos populares como o bumba-meu-boi, também presentes no calendário cultural local. O artesanato indígena, feito com sementes, palha e fibra de buriti, é outro atrativo cultural comum nas cidades do interior.
Quais são as curiosidades sobre o Estado de Roraima?
Boa Vista é a única capital brasileira totalmente dentro do Hemisfério Norte, a poucos quilômetros da Linha do Equador, uma particularidade geográfica exclusiva entre as 27 capitais do país. O ponto mais setentrional de todo o território brasileiro também fica em Roraima, no Monte Caburaí, município de Uiramutã, onde nasce o Rio Ailã.
Quase metade do território do Estado, 46,37%, é formada pelas Terras Indígenas Yanomami e Raposa Serra do Sol, as duas maiores do Brasil, o que faz de Roraima o Estado com uma das maiores proporções de área indígena do país. O Monte Roraima, no encontro das fronteiras entre Brasil, Venezuela e Guiana, é um dos poucos lugares do mundo onde um único ponto separa três países.
A culinária roraimense tem influência maranhense e amazônica, com o peixe de rio como prato principal em boa parte das refeições do interior, uma característica que aproxima o Estado de outras tradições regionais reunidas no artigo sobre Culinária do Brasil.
Perguntas frequentes sobre o Estado de Roraima
Qual é a capital do Estado de Roraima?
A capital é Boa Vista, com 500.965 habitantes segundo estimativa do IBGE para 2026. É a única capital brasileira situada totalmente no Hemisfério Norte, às margens do Rio Branco.
Quantos habitantes tem Roraima?
Roraima tem 636.707 habitantes, segundo o Censo 2022 do IBGE, o menor contingente entre os Estados brasileiros. A estimativa do IBGE para 2026 é de 761.012 habitantes.
Quais países fazem fronteira com Roraima?
Roraima faz fronteira com a Venezuela, ao norte e ao noroeste, e com a Guiana, ao leste. É um dos poucos Estados brasileiros com fronteira com dois países distintos.
Roraima faz fronteira com o Pará?
Sim. O Pará faz fronteira com Roraima ao sudeste do Estado, sendo um dos dois únicos vizinhos brasileiros de Roraima, junto com o Amazonas.
Qual é o significado da bandeira de Roraima?
As três faixas diagonais representam matas, paz e céu; a faixa vermelha simboliza a Linha do Equador; e a estrela dourada representa Wezen, estrela que também simboliza o Estado na bandeira nacional.
Quais são as principais cidades de Roraima?
Além da capital, Boa Vista, destacam-se Rorainópolis, Alto Alegre, Pacaraima, Caracaraí, Cantá e Mucajaí, segundo estimativa do IBGE para 2026.
Qual é o ponto turístico mais famoso de Roraima?
O Monte Roraima, tepui de 2.875 metros de altitude no encontro das fronteiras entre Brasil, Venezuela e Guiana, é o principal ponto turístico do Estado, dentro do Parque Nacional do Monte Roraima.
Quando Roraima foi criado como estado?
Roraima foi elevado à condição de Estado pela Constituição Federal promulgada em 5 de outubro de 1988, depois de décadas como Território Federal do Rio Branco, criado em 1943.
O Estado de Roraima ocupa 224.300,506 km² no extremo norte do Brasil, com 636.707 habitantes segundo o Censo 2022 do IBGE e um PIB de R$ 21,1 bilhões em 2022, o menor entre todas as unidades da federação. A geografia roraimense combina a savana do lavrado com a floresta amazônica e culmina no Monte Roraima, tepui de 2.875 metros no encontro das fronteiras com a Venezuela e a Guiana, enquanto quase metade do território é formada pelas Terras Indígenas Yanomami e Raposa Serra do Sol.
A história do Estado, que começou como disputa colonial pelo Vale do Rio Branco e passou pelo Território Federal do Rio Branco, criado em 1943, só se tornou Estado com a Constituição de 1988. Hoje, Roraima combina serviços, agropecuária e comércio fronteiriço numa economia pequena, mas marcada pela posição única do país na fronteira norte da América do Sul, com Boa Vista como a única capital brasileira inteiramente no Hemisfério Norte.
Foto de destaque: George Amaro / Wikimedia Commons, CC BY 2.0 (Ponte dos Macuxis, sobre o Rio Branco, Boa Vista, RR).