Estado do Amapá: Guia Completo com Mapa, História e Dados

O Estado do Amapá ocupa o extremo norte da Região Norte do Brasil, cortado pela Linha do Equador e banhado pelo Oceano Atlântico a leste. Com 142.470,762 km² de área, segundo o IBGE, é um dos Estados menos populosos do país: o Censo de 2022 contou 733.759 habitantes, com densidade de 5,15 habitantes por km². A Capital é Macapá, única capital brasileira situada exatamente sobre a linha imaginária que divide os Hemisférios Norte e Sul.
O território amapaense faz fronteira com a Guiana Francesa ao norte, o Suriname a noroeste e o Pará ao sul — o único Estado brasileiro vizinho. Ao leste, o litoral acompanha o Oceano Atlântico, onde o Rio Amazonas e o Rio Araguari formam uma foz marcada por mangues e ilhas fluviais. O Estado reúne 16 Municípios, concentrados sobretudo na faixa leste, onde vive a maior parte da população. O nome Amapá vem do amapazeiro, árvore nativa da região cujo látex era usado no tratamento de doenças respiratórias.
A economia amapaense combina mineração, extrativismo vegetal e comércio, com destaque histórico para o manganês extraído na Serra do Navio e para a Área de Livre Comércio de Macapá e Santana, criada em 1992. Mais de 70% do território permanece coberto pela Floresta Amazônica, dividida entre nove unidades de conservação e duas grandes reservas indígenas — o Amapá foi o primeiro Estado brasileiro a demarcar todas as suas terras indígenas. Esse equilíbrio entre ocupação humana e floresta preservada também aparece nos indicadores sociais: o IDH do Amapá foi estimado em 0,688 em 2021, segundo painel do IBGE.
A história do Amapá nasceu de uma disputa de fronteira entre Portugal e França que durou mais de dois séculos, resolvida apenas em 1900 por arbitragem internacional. O território virou Estado em 1988, depois de 45 anos como Território Federal, criado em 1943. Hoje o Amapá atrai visitantes pela Pororoca, fenômeno em que as águas do Oceano Atlântico avançam rio adentro pelo Rio Araguari, e pelo Marco Zero do Equador, em Macapá, onde é possível pisar nos dois Hemisférios ao mesmo tempo.
A população amapaense é majoritariamente urbana, concentrada em Macapá e Santana, e reúne descendentes de portugueses, africanos e povos indígenas como os Waiãpi, Palikur, Karipuna e Galibi. O clima equatorial, quente e úmido o ano inteiro, define também o ritmo da vida local: duas estações bem marcadas, sem inverno frio, e cheias periódicas nos rios que moldam a economia ribeirinha. Os números abaixo resumem o perfil do Estado antes de cada tema ser detalhado nas seções seguintes.
| Característica | Detalhe |
|---|---|
| Capital | Macapá |
| Área | 142.470,762 km² (IBGE, 2022) |
| População | 733.759 hab. (Censo IBGE 2022); estimativa 806.517 (IBGE, 2025) |
| Densidade | 5,15 hab/km² |
| Municípios | 16 |
| Fuso horário | UTC-3 (horário de Brasília) |
| Clima predominante | Equatorial, quente e úmido |
| Sigla | AP |
| Região | Norte |
| Países/limites de fronteira | Guiana Francesa e Suriname; Pará (único Estado vizinho) |
Onde fica o Estado do Amapá?
O Estado do Amapá fica no extremo nordeste da Região Norte do Brasil, entre o Oceano Atlântico e a margem esquerda da foz do Rio Amazonas. É o único Estado brasileiro cortado pela Linha do Equador em quase toda a sua extensão territorial, o que explica o clima quente e úmido durante o ano inteiro. Essa posição também aproxima o Amapá de dois países vizinhos fora do Brasil: a Guiana Francesa e o Suriname.
Internamente, o território faz fronteira apenas com um Estado brasileiro, o Pará, ao sul. Essa combinação — fronteira internacional ao norte e a oeste, oceano a leste, e um único vizinho interno — torna o Amapá um território relativamente isolado por via terrestre do restante do país. Para entender a posição do Amapá dentro do conjunto de Estados da Região Norte do Brasil, vale comparar sua localização com a dos demais territórios amazônicos.
Mapa do Amapá
O mapa do Amapá mostra um território recortado por rios de grande porte, como o Araguari, o Oiapoque, o Jari e o Calçoene, que correm em direção ao Oceano Atlântico ou desaguam no Rio Amazonas. A faixa leste, mais próxima do litoral e dos principais rios, concentra a maior parte dos 16 Municípios e da população amapaense. Já o interior, voltado à Serra do Tumucumaque, permanece pouco ocupado e coberto por floresta densa.
A divisão territorial reflete essa diferença: Municípios como Macapá, Santana, Mazagão e Itaubal ficam na faixa litorânea e fluvial mais acessível, enquanto Oiapoque, no extremo norte, marca a fronteira com a Guiana Francesa pelo rio de mesmo nome. No mapa político brasileiro, o Estado do Amapá faz divisa direta apenas com o Estado do Pará, o que reforça a ligação histórica entre os dois territórios desde a época em que o Amapá ainda era parte da antiga Província do Grão-Pará.
Capital do Amapá
A capital do Amapá é Macapá, fundada como Vila de São José de Macapá em 1758 e elevada à condição de cidade ao longo do século XIX. Localizada na margem esquerda do Rio Amazonas, Macapá é a única capital estadual brasileira cortada pela Linha do Equador, condição que deu origem ao Marco Zero, monumento que marca o ponto exato da divisão entre os Hemisférios Norte e Sul. A cidade também abriga a Fortaleza de São José de Macapá, construída entre 1764 e 1782 para proteger o território das investidas francesas vindas da Guiana.
Macapá concentra a maior parte da vida econômica, administrativa e universitária do Estado do Amapá, com a Universidade Federal do Amapá como principal polo de ensino superior. Pelo Censo de 2022, a cidade soma 442.933 habitantes, o equivalente a mais da metade da população estadual. Essa concentração urbana faz de Macapá o centro de serviços para todo o interior amapaense, do comércio ao atendimento de saúde, e também o principal ponto de acesso aéreo ao Estado, pelo Aeroporto Internacional de Macapá.
Cidades do Amapá
As cidades do Amapá se distribuem principalmente ao longo do litoral e das margens dos rios Amazonas, Araguari e Oiapoque, onde o transporte fluvial ainda é parte do dia a dia da população. Depois de Macapá, Santana é o segundo maior Município, ligado à capital por uma rodovia curta e conhecido pelo Porto de Santana, por onde escoa parte da produção mineral do Estado. Oiapoque, no extremo norte, funciona como ponto de travessia para a Guiana Francesa, por uma ponte sobre o Rio Oiapoque.
Outros Municípios de destaque são Laranjal do Jari, ligado à produção de celulose e extrativismo, Mazagão, com raízes na colonização marroquina do século XVIII, e Porto Grande, na rota da antiga ferrovia do manganês. A tabela abaixo reúne os Municípios mais populosos do Estado do Amapá, segundo o Censo do IBGE de 2022.
| Município | População (Censo 2022) |
|---|---|
| Macapá | 442.933 |
| Santana | 107.618 |
| Laranjal do Jari | 35.114 |
| Oiapoque | 27.482 |
| Mazagão | 21.924 |
| Porto Grande | 17.848 |
Bandeira do Amapá
A bandeira do Amapá foi adotada oficialmente em 5 de outubro de 1988, mesma data em que o antigo Território Federal se transformou em Estado pela Constituição vigente. O desenho traz um fundo azul, que representa o céu amapaense, atravessado por uma figura geométrica em formato de estrela que reproduz o contorno da Fortaleza de São José de Macapá, principal símbolo histórico do Estado. No canto superior esquerdo, uma estrela menor indica a posição do Estado do Amapá dentro da federação brasileira.
As cores seguem uma leitura próxima à da bandeira nacional: o verde remete à Floresta Amazônica que cobre a maior parte do território, o amarelo simboliza as riquezas minerais exploradas desde o século XX, e o branco representa a paz. O preto, presente na faixa que contorna o símbolo da fortaleza, é tradicionalmente associado à memória dos que resistiram às disputas de fronteira entre Portugal e França, episódio que marcou a formação do Estado. Para comparar o desenho amapaense com o de outros territórios, veja as bandeiras dos Estados do Brasil.
População do Amapá
A população do Amapá somava 733.759 habitantes no Censo do IBGE de 2022, com estimativa de 806.517 pessoas para 2025. A densidade demográfica, de 5,15 habitantes por km², está entre as mais baixas do país, reflexo do grande território coberto por floresta e pouco ocupado no interior. A maior parte dos habitantes do Estado do Amapá mora em área urbana, concentrada em Macapá e Santana, enquanto o interior mantém comunidades ribeirinhas e indígenas distribuídas ao longo dos rios.
Em termos de cor ou raça, o levantamento mais detalhado disponível em nível estadual é do Censo de 2010, quando 65,7% da população se declarava parda, 23,8% branca, 8,4% preta, 1,1% indígena e 1,1% amarela. O Censo de 2022 já mostra a Região Norte como a de maior proporção de habitantes pardos do país, com 67,2% do total, tendência que também se aplica ao Amapá. O Estado foi o primeiro do Brasil a ter todas as suas terras indígenas demarcadas, onde vivem hoje as etnias Waiãpi, Palikur, Karipuna e Galibi, distribuídas por duas grandes reservas no norte do território.
Geografia Física do Amapá

O relevo do Estado do Amapá é predominantemente baixo: cerca de 95% do território está abaixo de 300 metros de altitude, e 72% fica abaixo de 200 metros, numa combinação de planície litorânea alagável e planalto interior. O ponto mais alto do Estado é a Serra do Tumucumaque, com 701 metros, situada no extremo noroeste, no Maciço das Guianas. Mais ao sul, outras elevações menores, como a Serra do Navio e a Serra da Lombard, marcam a transição entre a planície e o interior florestado.
Essa combinação de relevo baixo com extensa cobertura florestal cria uma diversidade de ecossistemas pouco comum: características amazônicas no interior, guianenses no norte, próximo ao Maciço das Guianas, e oceânicas na faixa costeira. Essa variedade ambiental é um dos fatores que torna o território referência em preservação dentro da Amazônia Legal, tema detalhado nas seções a seguir sobre relevo, hidrografia e vegetação.
Relevo e hidrografia do Amapá
A hidrografia amapaense se divide entre a Bacia Amazônica e a Bacia do Atlântico Sul. Os rios Oiapoque e Araguari correm direto para o Oceano Atlântico, enquanto o Jari é afluente da margem esquerda do Rio Amazonas. Essa rede fluvial explica por que boa parte do transporte de pessoas e cargas no interior do Estado ainda depende de barcos, sobretudo nos Municípios mais distantes de Macapá. Para comparar com a topografia de outros territórios brasileiros, veja o relevo do Brasil.
Nos períodos de maior volume de chuvas, a planície litorânea alagável se expande, e os igarapés que cortam o interior ficam mais navegáveis, facilitando o deslocamento entre comunidades ribeirinhas. Essa dependência do regime fluvial também explica por que boa parte da infraestrutura amapaense, de portos a trechos de estrada, foi planejada em função dos principais rios do território.
Vegetação e unidades de conservação
A Floresta Amazônica cobre quase todo o território amapaense, com menos de 2% de área desmatada, um dos índices de preservação mais altos entre os Estados da Amazônia Legal. Na faixa litorânea, os manguezais se espalham ao longo da costa e das margens dos rios maiores, formando um ecossistema de transição entre o mar e a floresta. O Estado reúne oito unidades de conservação, entre elas o Parque Nacional do Cabo Orange e o Parque Nacional da Serra do Tumucumaque, uma das maiores áreas protegidas de floresta tropical contínua do planeta.
Entre as espécies vegetais de maior valor econômico estão o cedro, a maçaranduba, a castanheira e diversas palmeiras, como o açaizeiro, usadas tanto para madeira quanto para extrativismo de frutos. Além das unidades de conservação federais, o Estado do Amapá reserva duas grandes áreas indígenas no norte do território, onde a floresta permanece praticamente intacta sob manejo das comunidades locais.
Clima do Amapá
O clima do Amapá é equatorial, quente e muito úmido ao longo de todo o ano, sem estação fria. A temperatura máxima costuma superar os 33°C à tarde, e a mínima gira em torno de 22°C ao amanhecer, com média anual próxima de 26°C. Em vez de verão e inverno no sentido tradicional, o Estado tem duas estações definidas pelo volume de chuvas: um período mais chuvoso, entre dezembro e junho, e outro de menor precipitação, de julho a novembro.
Essa condição climática, somada à proximidade do Equador, mantém a umidade relativa do ar elevada na maior parte do ano em todo o Estado do Amapá e favorece a densidade da vegetação amazônica. As cheias dos rios Araguari e Amazonas, concentradas no período mais chuvoso, também influenciam diretamente a vida ribeirinha e a logística de transporte fluvial. Para comparar com os padrões climáticos de outras regiões do país, veja o clima do Brasil.
História do Amapá
A história do Amapá começa com o Tratado de Tordesilhas, de 1494, que atribuía a região à Espanha, embora na prática o território tenha ficado disputado entre portugueses, franceses e outras potências europeias interessadas em madeira, resinas e produtos de pesca. Em 1637, durante a União Ibérica, a região foi doada ao português Bento Maciel Parente com o nome de Capitania da Costa do Cabo Norte, mas as incursões francesas vindas da Guiana continuaram por décadas. O Tratado de Utrecht, assinado em 1713, fixou o Rio Oiapoque como limite entre o território português e a Guiana Francesa, fronteira que a França passou a contestar de forma recorrente.
Esse período de disputas moldou a identidade fronteiriça do Estado do Amapá, marcada pela presença de fortificações, destacamentos militares e sucessivas tentativas de ocupação portuguesa ao longo de quase três séculos. Só no início do século XX a questão de limites entre Brasil e França encontrou solução definitiva, abrindo caminho para a organização administrativa que o território conhece hoje.
Da disputa de fronteiras à Capitania do Cabo Norte
Em 1738, os portugueses voltaram a se estabelecer na região, fixando um destacamento militar em Macapá, elevada à categoria de Vila em 1758. A construção da Fortaleza de São José de Macapá, entre 1764 e 1782, reforçou a defesa portuguesa contra novos ataques franceses. A disputa de fronteira se arrastou por mais de um século, com tratados assinados e anulados por ambos os lados, até que, em 1895, um confronto armado na região envolveu forças brasileiras e francesas. O caso só foi resolvido em 1900, quando um laudo arbitral do presidente da Suíça, Walter Hauser, concedeu ao Brasil a posse definitiva do território contestado.
Entre os séculos XVIII e XIX, diferentes tratados tentaram fixar a fronteira em pontos variados, do Rio Araguari ao Rio Calçoene, sem que as duas Coroas chegassem a um acordo definitivo. A instabilidade se intensificou em 1886, quando colonos franceses chegaram a proclamar uma efêmera república independente na região do Cunani, dissolvida pelo próprio governo francês no ano seguinte.
Do Território Federal ao Estado do Amapá
Em 1943, o governo federal criou o Território Federal do Amapá, desvinculado do Pará, com Capital em Macapá. A descoberta de manganês na Serra do Navio, em 1945, mudou o perfil econômico da região, atraindo investimentos e trabalhadores para a exploração mineral conduzida pela ICOMI a partir da década de 1950. O Amapá permaneceu como Território Federal por 45 anos, até que a Constituição de 1988 transformou o Território em Estado, instalado oficialmente em 1991.
Nas décadas seguintes à criação do Território, a economia local girou em torno da mineração de manganês, que atraiu migrantes de outras regiões do país e impulsionou a urbanização de Macapá. A transformação em Estado, em 1988, deu ao Amapá autonomia política plena, com Assembleia Legislativa própria e administração direta sobre as políticas estaduais. Para entender esse processo dentro do contexto nacional, veja a história do Brasil.
Economia do Amapá
A economia do Amapá historicamente girou em torno da mineração e do extrativismo vegetal, com o manganês da Serra do Navio como principal produto de exportação entre as décadas de 1950 e 1990. Embora as grandes jazidas tenham se esgotado, o Estado ainda produz caulim, ouro e outros minerais em escala menor, ao lado de atividades mais tradicionais como a extração de castanha-do-pará, madeira e palmito. A pesca artesanal e a pecuária, concentrada em búfalos e bovinos nas áreas alagadiças da planície litorânea, completam a base produtiva do interior.
Além da produção mineral e extrativista, o setor de serviços ganhou peso nas últimas décadas, puxado pela expansão de Macapá e Santana como polos administrativos e comerciais do Estado. A renda domiciliar per capita do Amapá foi estimada pelo IBGE em R$ 855 mensais em 2021, abaixo da média nacional de R$ 1.367, o que reflete os desafios de diversificação da economia amapaense.
Mineração e extrativismo
Entre 1957 e o início dos anos 2000, o Estado do Amapá foi o segundo maior produtor nacional de manganês, extraído na Serra do Navio pela ICOMI sob um contrato de arrendamento de 50 anos. A mesma região concentrou pequenas jazidas de cassiterita, columbita e tantalita, além de depósitos de caulim e ouro explorados em garimpos nos Rios Calçoene, Cassiporé e Oiapoque. Com a exaustão das principais reservas de manganês, a mineração amapaense se reorganizou em torno de operações menores, mas o extrativismo vegetal — castanha-do-pará, madeira nativa e açaí — segue como atividade relevante para a economia do interior.
Fora da Serra do Navio, garimpos espalhados pelo interior ainda produzem ouro e diamantes em pequena escala, sobretudo nas bacias dos Rios Calçoene e Vila Nova, área que já atraiu levas de garimpeiros desde o século XIX. O extrativismo vegetal, por sua vez, mantém famílias ribeirinhas ligadas à coleta de castanha-do-pará e à produção artesanal de óleos e derivados de plantas nativas da região.
Comércio e Área de Livre Comércio de Macapá e Santana
Desde 1992, Macapá e Santana integram a Área de Livre Comércio de Macapá e Santana, criada para atrair investimentos e estimular o comércio de bens importados na fronteira norte do país. A medida impulsionou a chegada de novos moradores e consolidou os dois Municípios como o principal eixo comercial e de serviços do Estado. O Porto de Santana, ligado historicamente à antiga ferrovia do manganês, segue como estrutura de escoamento para a produção mineral e agrícola amapaense.
A proximidade com a fronteira internacional também sustenta um comércio voltado a produtos vindos da Guiana Francesa e do Suriname, sobretudo em Oiapoque. Esse fluxo comercial, somado à Área de Livre Comércio, faz da faixa leste do Estado do Amapá o eixo mais dinâmico da economia estadual, concentrando empregos em comércio, serviços e logística portuária. Mais sobre a estrutura produtiva nacional em economia do Brasil.
Turismo no Amapá

O turismo no Amapá é movido principalmente pelo ecoturismo, apoiado na proximidade com a Floresta Amazônica e em fenômenos naturais únicos no país. A Pororoca, as praias fluviais perto de Macapá e o Marco Zero do Equador formam o roteiro mais procurado por quem visita o Estado, ao lado de passeios de barco pelo Rio Amazonas e pelos igarapés próximos à capital. A pesca esportiva, com destaque para o tucunaré, também atrai visitantes aos rios do interior amapaense.
Parte do apelo turístico do Estado do Amapá vem justamente da sua posição geográfica única, somada à proximidade com áreas de floresta preservada e ao patrimônio histórico deixado pela disputa de fronteiras com a França. Essa combinação coloca o Amapá num roteiro distinto do turismo de praia tradicional, voltado a quem busca natureza, história e fenômenos naturais raros no país.
Pororoca e praias do Amapá
A Pororoca ocorre entre janeiro e maio, quando as águas do Oceano Atlântico avançam rio adentro pelo Rio Araguari, formando ondas de até seis metros que podem chegar a 15 milhas por hora. O fenômeno atrai surfistas e curiosos, embora o acesso dependa de condições específicas de maré e época do ano. Perto de Macapá, as praias fluviais do Araxá e da Fazendinha, às margens do Rio Amazonas, recebem banhistas durante o período de menor volume de chuvas, enquanto a Praia do Goiabal, em Calçoene, oferece mais de 20 quilômetros de faixa de areia ainda pouco explorada.
Além do Araguari, outros rios amapaenses também registram ondas de ressaca em menor escala, mas é nesse rio que o fenômeno atinge maior intensidade e visibilidade. Operadores locais organizam excursões para observação da Pororoca durante a temporada, sempre dependentes das condições de maré e do calendário lunar que regem sua formação.
Fortaleza de São José e Marco Zero da Linha do Equador
A Fortaleza de São José de Macapá, construída entre 1764 e 1782, é o principal monumento histórico do Estado e um dos maiores exemplares de arquitetura militar do período colonial brasileiro. A poucos minutos dali, o Marco Zero do Equador marca o ponto exato onde a Linha do Equador cruza a cidade, com um relógio de sol e um terraço de observação que permitem ao visitante ficar com um pé em cada Hemisfério. A Igreja de São José, próxima à fortaleza, é a construção mais antiga preservada na capital amapaense.
A fortaleza resistiu a disputas e ataques ao longo do período colonial e hoje funciona como espaço aberto à visitação, com muralhas e baluartes originais preservados. Já o Marco Zero recebe visitantes ao longo de todo o ano, especialmente durante o Equinócio, quando o sol incide exatamente sobre a Linha do Equador em Macapá.
Quais são as curiosidades sobre o Estado do Amapá?
O Estado do Amapá reúne curiosidades que vão da geografia à culinária, moldadas pelo isolamento histórico do território em relação ao restante do país e pela forte presença da Floresta Amazônica. Macapá é a única capital brasileira cortada pela Linha do Equador, e o Amapá foi o primeiro Estado do país a ter 100% de suas terras indígenas demarcadas. A mistura cultural entre portugueses, africanos, marroquinos e povos indígenas deixou marcas visíveis no folclore e na culinária locais.
O Estado também guarda particularidades geográficas pouco conhecidas: além de abrigar a única capital cortada pela Linha do Equador, o Amapá tem uma das menores taxas de desmatamento entre os Estados da Amazônia Legal. Essas características reforçam a imagem do território como um lugar de contrastes, onde tradição indígena, herança colonial e natureza preservada convivem lado a lado.
Folclore e festas populares
O calendário popular amapaense reúne festas de origem africana, indígena e europeia. O Marabaixo, realizado em Macapá 40 dias após a Semana Santa, homenageia o Divino Espírito Santo com a Zimba, dança trazida por negros vindos da Guiana Francesa. Em Mazagão Velho, a Festa de São Gonçalo e de São Tiago, herdada dos colonizadores portugueses, inclui cavalhada e procissão. O imaginário local também preserva lendas amazônicas como a Cobra-Grande e a Matinta Perêra, figuras recorrentes nas histórias contadas pelas comunidades ribeirinhas.
No Município de Oiapoque, os Jogos Indígenas reúnem etnias da região em competições esportivas que também funcionam como espaço de troca cultural entre as comunidades. O artesanato indígena, com colares e peças de madeira e sementes, complementa esse calendário cultural e é vendido como fonte de renda complementar pelas famílias das aldeias amapaenses.
Culinária típica do Amapá
A culinária amapaense tem no camarão ao molho de tucupi e no açaí dois de seus pratos mais tradicionais, preparados com ingredientes típicos da Amazônia. A gengibirra, bebida feita de gengibre ralado, cachaça e açúcar, é outra marca regional, servida sobretudo em festas populares. Peixes de água doce como o tucunaré também fazem parte do cardápio cotidiano das famílias ribeirinhas, refletindo a relação direta entre a população e os rios do Estado.
A farinha de mandioca e o açaí batido aparecem com frequência nas refeições diárias das famílias amapaenses, reflexo da base alimentar amazônica compartilhada com outros Estados da região. Pratos à base de camarão e peixe de água doce, temperados com tucupi, seguem como marca registrada da mesa local em restaurantes de Macapá e Santana. Para conhecer pratos de outras regiões do país, veja a culinária do Brasil.
Perguntas frequentes sobre o Estado do Amapá
Qual é a capital do Estado do Amapá?
A capital do Estado do Amapá é Macapá, única capital brasileira cortada pela Linha do Equador, com 442.933 habitantes segundo o Censo de 2022 do IBGE.
Quantos municípios tem o Amapá?
O Amapá tem 16 Municípios, concentrados principalmente na faixa leste do território, próxima ao litoral e às margens dos rios Amazonas e Araguari.
Qual é a população do Amapá?
Segundo o Censo de 2022 do IBGE, o Amapá tem 733.759 habitantes, com densidade de 5,15 hab/km², uma das mais baixas entre os Estados brasileiros.
Como é o clima do Amapá?
O clima do Amapá é equatorial, quente e úmido o ano todo, com temperatura média de 26°C e duas estações definidas pelo volume de chuvas.
Qual é o significado da bandeira do Amapá?
A bandeira do Amapá traz a Fortaleza de São José em formato de estrela sobre fundo azul, com verde, amarelo, branco e preto remetendo à floresta, às riquezas, à paz e à memória histórica.
Com quais países o Amapá faz fronteira?
O Amapá faz fronteira com a Guiana Francesa, ao norte, e o Suriname, a noroeste. Dentro do Brasil, o único Estado vizinho é o Pará, ao sul.
Quando o Amapá virou Estado?
O Amapá virou Estado em 1988, pela Constituição Federal daquele ano, depois de 45 anos como Território Federal, criado em 1943.
Qual é a principal atividade econômica do Amapá?
A economia do Amapá tem base histórica na mineração e no extrativismo vegetal, somadas ao comércio na Área de Livre Comércio de Macapá e Santana.
O Estado do Amapá combina um território de 142.470,762 km² quase inteiramente coberto pela Floresta Amazônica com uma população de 733.759 habitantes, concentrada sobretudo em Macapá e Santana. A economia, apoiada historicamente na mineração e no extrativismo, convive hoje com o comércio da Área de Livre Comércio e com um ecoturismo apoiado em atrativos únicos no país, da Pororoca ao Marco Zero do Equador. A história de disputa de fronteiras com a França, resolvida só em 1900, e a transição de Território Federal para Estado, em 1988, explicam boa parte da identidade amapaense atual.
Entre a floresta preservada, os rios que organizam a vida cotidiana e um patrimônio cultural que mistura influências portuguesas, africanas e indígenas, o Amapá segue como um dos territórios mais singulares da Região Norte do Brasil. Conhecer seu mapa, sua história e seus números ajuda a entender por que o Estado ocupa um lugar particular entre as 27 unidades da federação — o único cortado pela Linha do Equador e cercado por fronteiras internacionais em dois lados do território.
Foto de destaque: Miguel Cuenca / Pexels, licença gratuita (vista aérea do Rio Amazonas, Brasil).